segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

História Inventada - Perto da Igreja





PERTO DA IGREJA







Tocam os sinos. Os miúdos correm apressados pela rua. Alguém ao longe grita desalmadamente ao longo da escadaria – onde estás tu desavergonhada?. Uma voz de homem, que por ventura perdeu os sentidos, e ficou à nora. Sentada num canto estava uma rapariga adolescente agachada. Parecia estar a chorar. Supôs que talvez fosse esta a rapariga por quem o outro chamava. Pensei em ir ao encontro dela, tentar ampará-la, mas tinha um encontro marcado, por isso continuei o meu percurso, embora levasse comigo uma ligeira dor por não a poder ajudar.
Começa a fazer vento, de tal maneira que o meu vestido quase se levanta. Eu na tentativa de o segurar, ao mesmo tempo que caminhava apressada, tropecei na calçada. Feri o joelho, mas continuei persistente, pois tinha o autocarro para apanhar. Cheguei lá, olho para o relógio, e reparei que ainda faltavam 5 minutos. Sentei-me e não conseguia esquecer aquela rapariga, e tentar perceber a razão pela qual ela estava a chorar.
Respirei fundo, e pensei - que se lixe! Peguei no telemóvel, e expliquei que não seria possível comparecer, pela razão xpto. Lá inventei algo. Odeio mentir, mas às vezes tem de ser, mas não me darem na cabeça. Vou ao encontro dela, e de novo oiço aquela voz alterada. Ele estava ao pé dela, acho que só não lhe batia ali, porque havia mais pessoas.
Parei, e engoli o medo. Fui em direcção a eles, e fiz-me de parva, e fingi que já a conhecia – Olá! À tanto tempo que não te vejo, por onde é que tens andado? Tudo bem? Então pareces triste, o que se passa?. Ele olhou para mim, com cara de poucos amigos, e foi-se embora. Pensei – que sorte a nossa!. Peguei na mão dela, e disse-lhe que só a queria ajudar. Ela agradeceu, e explicou-me que o tal sujeito era seu pai. E que a razão de tanta fúria, era que ela estava grávida, e o namorado ao saber do acontecimento a abandonou. Fiquei sem saber o que dizer, mas agora reparo com alguma atenção, e vejo que já se notava a barriga.
Eu tentei consolá-la, e disse-lhe que agora apesar de tudo, tinha era de ficar feliz, porque tinha ali dentro dela uma vida, que com certeza iria ser uma criança maravilhosa. Não foi fácil convencê-la disso, mas depois de umas graçolas, lá consegui que ela sorrisse. Pensava para mim, que na verdade não a conseguia ajudar muito, mas talvez aquele tempo que passei com ela, já tivesse sido bom. Pelo menos eu sentia-me melhor.
E foi assim que fiz mais uma amizade, uma grande amiga.

1 comentário:

Related Posts with Thumbnails

Pesquisar neste blogue

Translate

Leva-me contigo!


Quem sou eu :P

A minha foto
São as letras que dão azo a que hajam palavras, progressivamente frases com algum ou sem nenhum sentido. Francamente não sei se o que escrevo faz ou deixa de fazer algum sentido, mas enfim... Assim o que escrevo aqui é o que me vai na alma, ou no pensamento. Desabafos, poesia, histórias inventadas ou alguma pesquisa referente a algum assunto. Enfim...o que me apeceter escrever naquele momento, e partilhar com todos vós.

Já me Visitaram

Estou no twitter lol

Seguidores

Mail

"Para sugestões, críticas, desabafos, comentários, partilhas..."

naflorestasecreta@gmail.com


Arquivo !

Photobucket

Páginas

Máxima

"Toda a parte do nosso ser grita para ser amado. Nada pode substituir tal amor que no fundo da nossa alma tanto necessitamos."

(Grantley Morris)

fadas
"Se uma árvore quer chegar ao céu, as suas raizes têm de ir ao próprio inferno" (Nietzche)



Photobucket
Photobucket

No facebook lol