
O FEITIÇO DE JADA (4)
O tempo passou e, Jada não via nenhum resultado do seu feitiço, somente a inveja que depressa a destruía. Da forma menos improvável, lentamente ela ia-se transformando. E da noite para o dia, transformou-se numa alfarrobeira, e aí ficou tão parada, estagnada sem nada poder fazer ou dizer. O vento soprava forte, para este, e Jada estava perto do mar. Pensava: “como pode ser! Porquê que eu não consigo encontrar a minha alma gémea?, o verdadeiro amor?... Eu não sou assim. A culpa não pode ser somente minha.” As ondas batiam contra as rochas com uma ferocidade, tal como ela se sentia; zangada e revoltada com a vida. Sentia as suas raízes na areia salgada. “Porque sou assim?, a incerteza parece perseguir-me. Poderá a culpa ser somente minha?...tudo poderia ser diferente se não fosse a minha ambição, a minha insatisfação...”. Já sem forças, calhem-me lágrimas na sua alma ainda fechada para o verdadeiro amor e, por momentos tinha vontade de desaparecer. Rapidamente foi perdendo a noção de quem era, a percepção do que alguma vez foi. “Se calhar aquele homem até tinha razão no que disse, que nada que eu fizesse ia mudar o meu destino.”
Gaivotas voavam atravessando o ar corrompido de uma ilusão amorosa, o sol pairava no céu azul e, seus raios de luz passavam entre a folhagem de Jada. Como poderia ela sair daquela aparência, à qual tinha sido aprisionada pelo seu próprio feitiço. Pouco a pouco começou-se a perceber do quanto tinha sido egoísta, ela não conhecia Margarida, mas sabia agora que ela também merecia ser feliz com Jorge, e que no amor nunca a inveja poderia participar. Ali estava ela, sozinha reflectindo sobre a sua vida.
Jorge, no seu quarto, também estava encoberto com as suas dúvidas e inquietações. Ele gostava de Margarida, ela era a mulher que qualquer homem poderia desejar, mas não deixava de pensar em Jada, não conseguia esquecer o seu corpo saindo da água. Era complicado para ele; numa tinha tudo o que queria, na outra havia algo de diferente, que nem ele sabia explicar. Era o desejo pelo desconhecido, pela aventura, com Jada seria tudo imprevisível, o que o fascinava muito. Mas preocupava-o como não magoar Margarida, e sua família, uma vez que o casamento já estava marcado.
Continua...







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