Quando não sabemos o que somos.
Um dia somos calados,
No outro enervados
E, quando fechamos os olhos,
Pomos a fantasia como verdade.
No dia seguinte somos faladores,
Gralhas do vento,
Trevas por dentro.
Somos tão lindos,
Como tão ridículos iremos parecer.
Mas ser...não.
Somos apunhalados,
Por nosso sentimento fuzilados
E, sorrindo ao choro
Trepamos para outro mundo.
Somos o que tentamos ser,
Olhamos o que não vemos,
O que tanto queríamos ter.
Gelo no coração,
Pesadelo como lição.
Não somos o que na verdade somos,
Com medo de perdermos,
De perecermos loucos.
Mas loucos são os que escondem
E calam o que sentem e são.
Somos ou não somos?
O que os outros não são,
O que os outros bem dizem,
Mas desmentem de mão em tostão.
Temos compaixão,
Teremos nós mágoas
De não sermos o que somos,
De termos mais do que precisamos.
Somos amigos,
Infiéis e ferozes, até que baste,
Até que baste como uma aste.
É difícil...
Sermos, abrimo-nos,
Mostrar a nossa nudez,
O nosso espirito mesmo em dias de nevoeiro.
Somos ou não somos?
O que iremos ser é que nos vale,
E o que sentimos nos salvará,
Se formos...
Se sermos...
Uma lição a ter em cada dia.
[Escrito em 2000]







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