Já aconteceu encontrar pessoas que liam o que eu escrevia, mas que depois não sei por alma de quem, pensaram que eu era diferente. Isto só porque só interpretaram uma pequenina parte de mim, e não eu na minha plenitude. Eu sou todas as palavras que escrevo, sou alguém que ambiciona crescer e compreender melhor este mundo. Bem sei! que o mundo não se fez para o compreendermos, mas gosto muito de encontrar pessoas de confiança, pessoas que fazem de mim uma mulher pessoa.
Ontem estava a ler as cartas que tenho. Sim! tive anos em que escrevia cartas para algumas colegas, e até escrevi para um professor e professora da secundária. Eu de facto era um pouco diferente, pois lembro-me de escrever papelinhos para todos da minha turma, com uma mensagem personalizada. Mesmo na universidade, cheguei a entregar postais com mensagens para professores. Atenção não era graxa, era apenas algo que eu fazia com bom agrado, e porque me fazia sentir melhor. Na universidade só contava mesmo a nota da frequência e não outras coisas, logo não interessava se era muito calada ou não, o que interessava era o que eu fazia na hora do teste, o que para mim era óptimo.
Acho que quando comecei a trabalhar, senti na pele o que era me usarem só para seu proveito, e o valor a ficar abafado pelos outros. Quem sabe falar, quem sabe ser esperto é que fica bem, e os outros por mais que se esforcem dificilmente conseguem os mesmos patamares. E depois de uma pessoa se sentir como a substituta, e como alguém descartável, que só serviu para os outros ficarem melhor, a nossa auto estima ainda baixa mais em vez de ficar melhor. Com o tempo ficamos calejados, e raivosos contra coisas não têm sentido. Afinal parece que temos que ser como máquinas, e não ser pessoas.
O meu primeiro patrão dizia que ali era como uma família. Uma família meio estranha, onde eu não era bem vinda, por mais que trabalhasse, e fizesse muitas tarefas de bom gosto. Depressa ou não, apercebemo-nos que os esforços que fazemos pelos outros, eles nunca fariam por nós. Sabe bem ajudar, mas também custa quando sentimos na pele que só nos ajudam por interesse do bem estar deles mesmos e não por mim. Custa não nos dizerem as coisas na cara, e andarem com indirectas e acharem que nós temos que perceber. Qual o problema em dizer a verdade, o que pensamos na cara do outro? A verdade por mais que doía é sempre a melhor solução, passar a mão na cabeça dos outros dizendo uma coisa e depois nas costas dizer outra coisa é algo sujo mesmo, que não é de amigos verdadeiros.
Uma coisa que custei a perceber, é que muita gente não gosta de ter ligações verdadeiras com os outros, mas sim amizades de interesses, amizades superficiais, onde têm sempre uma parte deles escondida, e que quando nós nos mostramos usam os nossos defeitos para nos prejudicar. Muitas pessoas vivem em mundos de aparências, em que parecem ser uma coisa, e mesmo quando estão numa relação nunca retiram sua capa, ficando sempre na defesa. E ás vezes vivem anos juntos, e bem, mas na verdade não se conhecem. A verdade pode ser dura, mas é importante confortarmo-nos com ela. Mas a verdade é que muita pessoas não estão preparadas para ouvir o que pensamos, preferem o mundo das aparências.
Perdi o contacto de tantas pessoas, tantas pessoas que parece que lidavam comigo por pena talvez. Pelo menos foi isso que uma vez me dizeram. Embora eu saiba que certas pessoas não sejam assim, e que na verdade viam algo diferente em mim, como a minha sensibilidade para ver o que eles eram. Ou então talvez fosse o meu coração inocente. Claro que ele vai estado calejado, porque neste mundo não podemos ser inocentes e acreditar em tudo o que nos dizem. Tem pessoas que parecem ser mesmo nossas amigas, mas depois nos traem, nos usam, e não têm a mesma dedicação que nós temos para com eles.








Sem comentários:
Enviar um comentário