Constantemente erro. Procuro a via certa para a inconstância do meu pensamento. Por vezes acordo envolta numa corrente de aragens pecaminosas. Quero-te dentro de mim, que mates esta ânsia que sinto, que devolvas a tranquilidade que tanto necessito. Não sei explicar, mas preciso de me libertar, surrurrar, gemer, gritar, regressando às minhas origens, ao estado animal.
Não quero que sejas dócil, quero-te igualmente selvagem, porém, também quero ao mesmo tempo que seja de certa forma um cavalheiro.
Quero sentir a tua mão gentilmente tocando nas minhas ancas e, num gesto de destreza que infrigas, me batas até meu corpo se contorcer, não de dor, mas sim de prazer. Quero sentir que só a mim me desejas e, que tudo fazes para que eu seja tua. A verdade é que me sinto ainda pouco segura de mim, embora tenha uma capacidade de falar abertamente sobre certos assuntos que outras pessoas não terão por pudor. Vergonha é letal, e incapacita de sermos nós mesmos. Nunca chegaremos ao céu sem que as nossas raízes se enterrem no lodo.
Preciso que, além de dominares meu agreste corpo, queiras entrar na minha perturbada alma e consigas dar parte do teu amor a mim. Também tudo farei para que juntos sejamos invencíveis.
Pintura de Kris Lewis








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