sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Desce e sobe, Sobe e desce


Artista: Vhils Alfama

A irrregularidade da vida vê-se nesta calçada igualmente irregular, em que no sobe e desce, desce e sobe, vai notando-se as mazelas nos ossos, de quem passa aqui; inflamações, deslocamentos, entorses, artoses, uma planópia de efemeridades que deixa o povo desvastado, empobrecido, cansado e sem alegria na vida. Perde-se a vontade de sair de casa, quando as pernas custam a descer os degraus de um quinto andar e após isso, ainda enfrentar colinas e vales de calçada. Apesar de tudo alguma simpatia perdura e, um bom dia ainda surge aqui e ocolá. 

A riqueza da variedade de cada casa, prédio, esquina, dá uma visão interessante, sobertudo para quem vem de alguns países em que fora tudo desvastado pela 2ª Guerra Mundial. Porém certas ruas muitas vezes estão sujas, com papéis, papelinhos, beatas de cigarro, pinceladas de tinta pelas paredes, em que danificam ou, melhor fazem perder muita beleza. Mas tudo parte de um civismo individual, que se vai perdendo porque algumas pessoas estão a se barimbar e dizem que não é com elas. Desmotivam-se, verbalizam repetidamente que estão contra o sistemas, contudo muitas vezes nada fazem individualmente para mudar o mundo à sua volta. Revoltados, mas ao mesmo tempo conformados. 

As marcas da idade não deixam indiferente todo o sofrimento que aquela pessoa passou, uma vida de sacríficio a trabalhar para ter algo, para depois sustentar algumas vezes o filho já com idade de ser independente. Filho ou filha esse que sim faz o que quer e gasta o que quer, mas que ainda é suportado pelos pais como se fosse algo normal. Oiço casos que os pais dão uma renda aos filhos, mas também inversamente já ouvi falar num caso em que o filho paga para viver com os pais uma renda. 

O andar torna-se pesado, denso, a própria forma de caminhar muda com a idade. A curvatura das costas além de mostrar anos de maus hábitos, mostra o peso de muitas preocupações. Tenho na verdade de envelhecer sozinha e, a minha avó diz que nada melhor do que ter alguém que depois cuide de nós. Diz ela que das melhores coisas que ela tem é ter uma filha e neta que cuidam dela, embora raramente o façamos. mas lembro-me agora novamente, que tenho de ir à praia com ela fazer um piquenique com a família (ou parte dela) lá, pois recordo-me bem de ela dizer que gosta de praia e que faz anos que não passa lá. 




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