sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Poema - Ansiedade


Nota: (poema um pouco hardcore lol)

Sinto que nunca sai daqui
Tudo aqui se entranha em mim,
O cheiro, a terra, os sons,
A dureza de vários tons.
Em mim sinto a nostalgia,
A Ânsia de viver a magia
Do teu beijo, do teu toque
Na minha pele que respira desejo.
O desejo de te ter para mim,
A luxúria de ser possuída,
Comida e fodida somente por ti.
Nada em mim é vulgar,
Tudo em mim é vulgar
Pois eu sou a escuridão que te rodeia,
Pois eu sou a luz que te espera.
O sol aquece-me os ossos,
As borboletas espairecem-me a memória.
Sinto que nada sou,
E que tudo sou quando contigo estou.

(28/11/2014)


3 comentários:

  1. Cara Anónima na Praia Secreta,

    Achei muito feliz a escolha da foto a ilustrar este teu poema. E por isso mas não só decidi escrever aqui este meu comentário.

    O animal sexual que há em mim revê-se muito nesta foto. Enquanto estou a prestar homenagem à beleza do corpo feminino desta forma que aí se mostra, eu tenho a declinação de imitar os gestos tal qual. Eu também adoro segurar no pézinho quando me estou a sentir dentro de outro corpo.

    Este fascínio que nos assalta a nós, másculos, que nos leva a querermos insaciavelmente estar dentro de outro corpo sempre me intrigou. E já dissertei sobre isso num post de um dos meus blogs, que intitulei “Erotica, my personal version”.

    Acerca agora do texto do teu poema, vejo nele uma coisa que talvez nos separe, homens e mulheres.

    Quando dizes “A luxúria de ser possuída, / Comida e fodida somente por ti.”, reflectes o sentir de toda a mulher que só pode amar um homem.

    Eu, enquanto homem, noto que quando estou, como gosto de dizer, prestando homenagem à beleza do corpo feminino entrando dentro deste, passo nesse preciso momento a amar instantaneamente esse ser que me está a dar a permissão de invadir o seu âmago. Mesmo que mal o conheça a esse ser, com quem estou nessa ocasião fortuita. E sem pôr em causa aquele amor superior que voto áquele ser a quem amo em permanência.

    Então, no coração de uma mulher só haverá lugar para um único homem, talvez. No de um homem há sempre mais um espaço de reserva que pode ser ocupado temporariamente, por uma questão de horas. Reforço, mais uma vez, TALVEZ seja assim.

    A natureza humana é realmente pródiga em mistérios. E gosto de como tu os exploras.

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    Respostas
    1. Ola Giuseppe

      brigada pelos comentários.
      Eu acho que em relação ao que dizes, na verdade a poligamia é de ambos os sexos. Basta ver programas da natureza com macacos, aquilo é a loucura. Nós é que queremos controlar e ser superiores e de certa forma é bom sermos assim, senão era uma palhaçada e para doenças do melhor.
      A mulher mais que o homem sente essa necessidade de ser única e de o homem ser só dela, acho que também por factores culturais, e regras que a sociedade dita.
      Mas a verdade é que a natureza física nos humanos, julgo eu, ser mesmo polígamonos. Embora hajam casos bem sucedidos de monogamia.

      Acho lindo da tua parte, haver esse respeito pela mulher, mesmo que não a conheças. E julgo que da parte da mulher é o mesmo. Mas, é a tal questão, por questões culturais e bla bla, as mulheres muitas vezes sentem medo de ser intituladas como oferecidas, e de serem usadas. Porque convinhamos há muita gente que abusa e não sabe nada de respeito e amor, nem intimidade. Enfim...

      Beijinhos

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    2. Anónima,

      Embora leia o teu blog mais ou menos amiúde, e até este me sirva por vezes de inspiração, não me recordo de ter feito aqui algum comentário. Talvez um ou outro há já bastante tempo… Como tu dizes, enfim…

      Concordo contigo e sempre pensei assim que a monogamia não é natural. Não tem de ser uma regra sempre com cada um de nós que amemos uma só pessoa. O que é natural é termos sentimentos fortes por mais do que uma pessoa, embora possamos admitir também que só muito raramente do mesmo nível de intensidade e simultaneamente por duas pessoas diferentes. Ou até mais.

      Agora, não me interpretes mal. Eu não sou poligâmico. Já tive várias relações, sempre monogâmicas. Talvez só porque a vida não proporcionou que fosse diferente. O rótulo que talvez melhor me possam pôr, e para usar de um certo eufemismo, é de… libertino.

      Vou-te parecer fanfarrão, paciência, mas eu acho que devo ser uma reencarnação do filósofo francês Jean-Jacques Rousseau, que disse que “as mulheres são a metade mais bonita da humanidade".

      Eu amo as mulheres. Eu amo todas as mulheres. Eu talvez nunca venho na minha vida a conseguir pertencer a uma única mulher. Porque eu não posso amar apenas uma mulher. Eu amo todas elas. Eu acho que não há praticamente outro homem neste mundo que pode amar as mulheres ou “a” mulher mais do que eu.

      Ou quem sabe, talvez um dia eu encontre uma mulher que eu veja reunir em si todas as mulheres deste mundo, se tal for possível…

      Obrigado, mais uma vez, pela inspiração que me deste para ser introspectivo.

      Um jinho.
      Giuseppe

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