Ser livre é eu poder andar descalça, sem sapatos, sem nada que me prenda de sentir as coisas tal como elas são, de forma crua e dura, mas também de forma mais bela e espontânea. Era tão bom que mais pessoas andassem livres, sem amarras, sem preconceitos ou ideias preconcebidas sobre o que deve ser nesta sociedade, onde as aparências são mais importantes, onde não importa sermos pessoas de confiança e profissionais, mas sim uns vigaristas com um sorriso falso ou com um bom decote. Hoje em dia pouco conta o que somos mesmo, mas sim o que parecemos, importa mais sermos dogmáticos ou submissos do que sermos pessoas com iniciativa e pensamento próprio.
Gosto de andar descalça, e descalça gosto de sentir a areia nos meus pés, até a dura calçada eu subo descalça. E noto que são mais os estrangeiros, pessoas de espírito livre que andam mais vezes descalças. Os que eu costumo chamar hippies, não se importam de sentar no chão e comer ali mesmo, ao passo que outras pessoas já vão pensar no que os outros vão pensar. É isso, temos uma infeliz mania de pensar no que os outros vão pensar, no que é o certo, nas definições de como deve ser, e não seguir um coração. Muitas vezes nem sabem já o que o coração diz, porque é tanta censura à volta que a inocência se perdeu, que a magia se perdeu e só existem interesses e a boa educação.








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