A brisa do oceano tranquiliza meu espírito, a areia é óptima para esfoliação, e como não tinha mais nada para fazer, foi à praia. Ainda existe muita coisa na minha cabeça por resolver, partes do passado que tenho que resolver se quero viver o futuro. Dizem que viver o presente é que é importante e concordo, mas é importante também resolver certas coisas do passado, dar tempo ao tempo, para depois viver o futuro sem traumas ou conflitos. Nem tudo o que queremos podemos ter, e temos que ver isso como natural. Natural são outros problemas que surgem no meio disso, enfim...
Lembro-me dos momentos em que chegava a casa e quase fazia um esforço para não parecer muito feliz, porque enfim....aqui em casa tudo é mal visto. E agora parece difícil sentir isso novamente, é como uma amiga minha me disse, que eu ainda não resolvi o passado. E depois tomei decisões que me vieram prejudicar. No meio de tanto problemas, uma pessoa desanima, porque nada mais queremos do que ser apreciados, amados, e quando não somos fica mais difícil.
O meu pai cada dia que passa fica pior, e quando olho para ele, vejo muitas outras pessoas. Ele queixa-se de que ninguém gosta dele, que ninguém o ajuda, etc etc, mas depois ele não é capaz de fazer nada pelos outros sem segundas intenções. Se ele não sabe amar, como espera que os outros o amem. Se ele não ajuda os outros, como espera que os outros o ajudem!? Só para eu ficar com heranças, por interesses?! Só para ele ficar contente e gostar de mim, pelo que faço e não pelo que sou?! Pior é que amor é tabu para ele, até a amizade ele diz que não existe. Qualquer palavra que dizemos é mal interpretada e ele vira-se contra nós, não sabe sorrir nem sequer.
Como a minha avó materna diz muitas vezes - Passa uma nuvem no céu, todos olham e falam, mas ninguém olha para si. O meu pai sabe ver os erros nos outros, mas nele não sabe. E muita gente é assim, até eu às vezes sou assim, mas depois reflicto e penso sobre o que fiz. No fundo é o reajustamento mental que temos que fazer, e assumir a nossa culpa, e não culpar o outro. Sei que muita coisa tenho e tive culpa, e é isso que tenho que mudar. Mudar é preciso para sermos melhores, felizes. Não é mostrar que estamos bem connosco mesmos para os outros, mas sim estamos bem de facto connosco mesmos e não termos medo de mos mostrarmos, de ajudarmos, de amarmos. Isso eu aprendo muito com a minha avó materna, e ela eu vejo tem um sorriso na cara, vejo que ela gosta mesmo de mim.
O amor nunca pode ser uma exigência, e sei que também aí errei. E que também erram comigo, enfim...








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