Há umas horas atrás ouvi o galopar de um cavalo na estrada. Lembro-me que quando era mais nova, quando ouvia o som, ia logo ver os cavalos. Cada vez é mais raro, mas deixei de ter aquela pica por assim dizer. Mas momentos ficam na nossa memória, e infelizmente nem todas as memórias são as melhores. Por isso mesmo vou ficando cada vez mais frágil, sensível a cada coisa que se passa, e também com medo. O medo não é bom, mas é provocado por pessoas que querem espalhar o medo com base em palavras duras, com base na força física, e em ameaças que podem ser um triste pesadelo.
Hoje estive num centro de saúde com a minha avó materna, e olhei de relance para algumas pessoas que estavam lá, e via-se explicitamente no rosto de algumas as suas vidas. Quando somos novos isso nem sempre trespassa para fora, mas depois tudo fica marcado no rosto. Contudo existem rostos que enganam muito, mesmo com muita idade. Mas vou falar de um tipo de rosto agora, aquele que quando está parado no tempo, os lábios esboçam um sorriso ao contrário, linhas duras de sofrimento, muitos anos sem ser feliz, aprisionados. Acho que as mulheres têm mais esses rostos, porque foram infelizes ao lado de homens que nunca as amaram, e depois claro está, se tornam amargas e amarguradas.
Por vezes deixamo-nos cair num que achamos ser o certo, o correcto, e esquecemo-nos de ser felizes. E que nem sempre a felicidade é o que é certo para o outro. E vejo que em certas coisas a nova geração está melhor, mais livre e isso é bom. Uma ditadura nunca pode ser bom. Falam-me do Salazar e eu digo que sim, ele era um óptimo economista, sei ver que algumas coisas até eram boas, mas também sei ver que havia muita coisa mal, muita ignorância, e por tal era fácil ter pessoas submissas. E isso era o que os homens adoravam nas mulheres. E ainda hoje há homem machista, acreditem, mesmo os novos. Mas quando dizem que derrotaram o Salazar é mentira, porque nem era ele que governava, era Marcelo Caetano, e ele conseguiu algo bom para nós, as reformas. E agora para mim como será?! Estamos a retorcer na economia, né. Enfim...o 25 de Abril nunca foi um golpe do povo, mas um golpe político, militar. Mas isso não quero falar aqui.
A minha avó paterna é dessas pessoas que não se pode confiar, e é amarga. Nem todos os velhinhos são bonzinhos, alguns são terríveis para quem os conhece bem. Lembro-me de quando era pequena e ela me vir com questionários sobre a minha mãe, para onde ela ia, e qual era a avó que eu gostava mais. Ao que eu respondia o que a minha mãe me dizia que eram as duas. Mas sempre gostei mais da materna. Uma mostrava-me amor, e outra só zangas e gritos. Até me ameaçou uma vez que não me fazia mais pão doce para mim, nem sei bem já porquê. Pior é que ela não reconhece nada de mal que tenha feito, e continua a plantar o mal. Há pessoas que não aprendem, e infernizam a vida dos outros. Só há um ano para aí é que vi o diabo que ela tinha dentro dela, o quanto falsa ela era mesmo para comigo, e isso me custou muito. Uma pessoa vai pensando que os outros sempre têm alguma bondade dentro deles, e que gostam de nós, mas isso por vezes é uma ilusão, e a nossa ingenuidade pode nos sair cara.
Eu acho que a nova geração, parte dela, está mais sincera, mais frontal, e menos condicionada pelo certo ou errado. E isso é bom. Claro que também há nova geração fútil, sem valores, mas penso que tenhamos que ter fé, que isto melhore né. Pelo menos para os meus filhos penso em partilhar o melhor e ensiná-los a serem felizes. Para tal também o preciso de o ser, dar o exemplo. Resta saber onde está o meu principe loool








A felicidade não se ensina...CONQUISTA-SE, mas isto sou eu que penso...
ResponderEliminarQuanto à bondade ou não da nova geração.....não sei...mas sei que é mais individualista, sinal da competição, porque na vida e hoje em dia não há lugar para os 2º lugares.
Mas deves ter razão há pessoas SIM que têm o mal dentro delas!
Klepsidra
Se todos pensarmos como tu não vamos longe. Eu acho que se queremos felicidade, não podemos ter esse pensamento que não existe lugar para 2ºs lugares. Mas isto sou eu a falar, e cada um pensa como pensa.
EliminarEm relação à felicidade conquista-se sim. Mas o amor ensina-se, visto que não é algo propriamente inato em nós.
Fica bem