quinta-feira, 14 de março de 2013

PAIXÃO E AMOR



Hoje vou falar sobre basicamente sobre dois temas, paixão e amor. Palavras diferentes, definições diferentes, contudo existe por vezes uma relação entre estas duas abordagens. Fazem parte das nossas relações pessoas e interpessoais, assim como de certa forma, comandam a forma como seremos ou não felizes, e define ou não o nosso sentido da vida. O que vou dizer é apenas uma pequena parte de tanta coisa que existe para dizer, porque no fundo estes temas são muito abrangentes, e podem ser vistos também à luz dos anos que se passam, e conforme as culturas e religiões por exemplo. Existem coisas que são interpretadas de forma diferente conforme o sitio onde vivemos. O meio que nos envolve influencia em muito. Hoje em dia existe uma ligação maior entre as várias culturas, e vamos tentando compreender melhor o que se passa além de nós, o que nos abre mais os horizontes e a nossa forma de pensar. A mistura, ou seja procurar o melhor em cada cultura é o mais sensato. Creio que não exista nenhuma cultura ou país onde não hajam coisas erradas, e essas são as que devemos ignorar e absorver sim as coisas boas. Contudo devemos aprender com os erros, erros esses como a segunda guerra mundial onde milhares de pessoas sofreram em prol de nada. Para mim a guerra não tem sentido, algo que revela a pior faceta do ser humano. Existem tantas pessoas que sofrem com isso que faz doer a alma, e acho bem que isso tudo seja mostrado para o mundo. Amor gera amor, violência gera violência. Mas eu agora vou só falar um pouco sobre o que penso da paixão e do amor.


PAIXÃO





Vou começar por falar na paixão. Existem os chamados amores platónicos, mas eu acho que o nome está incorrecto e se deveria chamar paixões platónicas. A paixão é quando existe um desejo, quando algo nos atrai na outra pessoa, ou seja algo de fora no atrai, e nos cria um desejo, um sentimento arrebatador de querer "possuir" a outra pessoa ou objecto, de querer estar com a outra pessoa, de querer a atenção dessa pessoa. Por vezes isto se confunde ou se assemelha a amor, contudo na maioria das vezes não é. O que não invalida que uma paixão não gere posteriormente um sentimento de amor. 

Nem sempre conhecemos a outra pessoa, o fruto do nosso desejo, imaginamos na nossa mente como será. Ou seja começa por ser algo que por vezes nem sabemos bem o que é ao certo que nos atrai na outra pessoa, e faz com que depositemos mais atenção sobre a mesma.

Existe um desejo por aquilo que nos pode proporcionar prazer. "Na alegria da posse, o sofrimento do desejo é apaziguado por instantes." (Rougemont, 2001:152)

Por vezes a paixão é uma ilusão do amor. Mas por vezes a paixão surge em coisas mais simples, como até jogar futebol, o prazer de jogar, de vencer, de ir mais além. 

AMOR



Amor é algo vasto, e pode ser visto em várias perspectivas  como por exemplo, sentimental, sexual e espiritual.
Amor é algo superior ao desejo. Para haver amor não é necessário haver desejo carnal. É algo que parte de nós, cresce em nós, e depois pode ser partilhado com outras pessoas. Uma energia criativa que nos ilumina, que nos unifica e nos torna melhores pessoas. 

Não é fácil amarmos no estado puro, pois muitas vezes vivemos também o desejo, e isso acaba por ser algo que até acho normal.E esse desejo e dor que daí pode advir por vezes é fonte inspiradora para os artistas, como poetas por exemplo. 

É um sentimento altruísta  o dar algo sem procurar ter nada em troca; coisa que por vezes custamos a fazer, pois às vezes mesmo inconscientemente procuramos algo em troca pelo que oferecemos, nem que seja somente uma valorização disso, ou melhor um reconhecimento.
"Para amar é preciso ser distinto do próprio objecto do amor, ao qual se pretenderia estar unido." (Rougemont, 2001:12)
Dizem que o amor faz sofrer, mas não, o desejo é que depois provoca a dor, o sofrimento. O querermos algo e não conseguirmos ter isso que queremos. O fosso entre o que é  o que deveria ser. 

Apesar disso não estou dizendo que quem ama de verdade nunca sofre, não é isso. Tudo depende. É óbvio que se sofre. Um exemplo simples; se amamos uma pessoa e ela fica doente, ou ela está a sofrer, ou pior ela morre, é óbvio que sofremos. Pelo menos eu vejo assim. Se não sentíssemos nada, não sentíssemos uma perda, uma dor no peito por aquela pessoa sofrer, era sinal que éramos insensíveis, que não nos importávamos com o que a outra pessoa vive. Agora outro exemplo: dizer que amamos alguém e sofrer porque a outra pessoa não nos ama, ou porque ela começou a gostar de outra pessoa, é outra coisa. Nós devíamos ficar felizes pela felicidade de quem amamos, mesmo que seja longe de nós. Não é fácil  mas é o amor. Obsessão, pressão são coisas que têm haver com o desejo, com o nosso ego. Falo isto mas tenho consciência que nem sempre sou a melhor pessoa. Mas enfim...falar disto e ter consciência disso penso que irá fazer que melhore, pelo menos é isso que quero.

Quem ama não mente para proteger o outro. Dizer que ama e depois ter uma vida completamente diferente daquela que se mostra à outra pessoa, é porque se sente medo. E medo nada tem haver com amor.
A religião influencia muito a nossa visão do amor. Enquanto na religião ortodoxa e cristã separam o sexo do divino, no oriente com o tantra, hatha yoga existe uma ligação entre o sexo e o divino. Contudo o Cristianismo Deus é amor, mas continua a renegar o instinto animal, o sexual. Eu acho é que podíamos aliar isto tudo e formar algo mais natural, mais livre. Porque condenar algo é no fundo recalcar, e isso depois cria distúrbios mais tarde ou mais cedo. 

 PAIXÃO & AMOR

Numa relação de homem mulher, para mim, penso que seja normal haver paixão e amor. E isso tem que ser encarado de forma natural e com q.b. para que não se transforme noutras coisas negativas. Porque nós temos dois pólos  como os orientais dizem, o yin e yang que estão presentes em praticamente tudo, mesmo nos alimentos. E deve sempre haver o equilíbrio das coisas, nem tanto à terra nem tanto ao mar como o povo costuma dizer.  

Falo muito entre homem mulher. talvez eu esteja um pouco a descriminar dos homossexuais. mas a verdade é que desconheço um pouco esse mundo, não tenho nenhum amigo homo, e como não sou. 


 Bem, isto é um poucochinho do que leio e do que sei, da minha visão. Outro dia logo escrevo mais coisas sobre estes temas que me fascinam. 




Bibliobrafia:

 -  Rougemont, Denis (2001), Os Mitos do Amor, Livros Horizonte, 1º edição, Lisboa







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