V
Entraram, o restaurante era muito
acolhedor, e pouco após se terem sentado chegou o empregado de mesa para
entregar o menu.
Depois de terem feito o pedido,
ficaram a conversar:
- Não me digas que estás nervosa?
- Um pouco…
- Não estejas, prometo que não te vou fazer
nenhum mal – Enquanto disse isso pegou na mão esquerda dela, que tocava
carinhosamente.
- Fala-me um pouco de ti? – Continuou ele.
- Não existe muito a dizer sobre mim. Tenho
uma vida bastante pacata. Vim para Lisboa há dois anos. Gostava de ter outro
emprego, de ter estudado mais, mas foi isto que consegui…
Ele interrompeu – Nunca sintas vergonha disso.
- Ah pois, é fácil para ti, és rico, com um
carro daqueles, agora eu nem carro tenho.
- E depois?!
- Depois que tu és rico.
- Mas isso não faz de mim melhor pessoa, pois
não?! Deixa-te disso, tu és quem és, e não é um trabalho que te vai definir.
- Eu sei, mas gostava que as coisas fossem
diferentes.
- Eu sei Sofia. Mas acredita que isso tudo faz
com que os teus olhos sejam mais belos, porque és uma lutadora, e isso nota-se
quando olho para ti.
Ela suspirou e ficou com um
ligeiro sorriso na cara, antes de começar a corar, e ele disse-lhe:
- É verdade, sei que te chamas Sofia, mas
ainda não sei a tua idade por exemplo.
- 27. E tu?
- 30.
- O que fazes da vida?
- Escrevo histórias sobre mulheres como tu. –
Sorrindo – Não é bem isso, mas sou escritor.
- Mas isso não dá muito dinheiro!
- Pois não. Os meus pais é que têm um negócio
no Porto.
- Mas és do Porto?
- Sou. Embora não pareça, pois não tenho sotaque.
Estudei aqui em Lisboa, e tenho família da parte da minha mãe aqui em Lisboa
também.
-Ok.
O ambiente estava agradável, e a conversa ia
fluindo. Comeram como entrada pão torrado com manteiga de alho, seguindo de
pizza com um vinho branco, e por fim para finalizar um tiramisu. No centro da
mesa estava uma vela, que no meio de um ambiente um pouco escurecido, realçava
o sorriso de Jorge, e o brilho dos olhos de Sofia. Ambos estavam cada vez mais
encantados um pelo outro, embora mal se conhecessem. Mas havia ali uma certa
magia no ar, onde eles se deixavam levar, como se fossem pétalas de flor de
amendoeira a voar pelo céu. O medo que ela poderia sentir por estar com alguém
que mal conhecia, depressa se dissipava pela sensação calorosa que seu bater de
coração lhe dava.








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