quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

50 Sombras de Grey



Poderá o livro 50 sombras de Grey ter alguma influência na violência doméstica?
Será BDSM uma forma de violência?
Será que as mulheres agora sonham em ser submissas?

Como este livro teve muito êxito, é normal que se fale sobre este assunto, visto que o livro fala sobre BDSM (Bondage, Dominação, Sado, Masoquismo). A meu ver BDSM, nada tem a ver com violência, embora haja quem pense que sim, devido a certas práticas que implicam dor. Contudo quem prática é com consentimento de ambas as partes, e existem regras a cumprir.

Vivemos num país que tem muita violência doméstica, no que diz respeito à vertente de o homem maltratar a mulher, tanto de forma psicológica como física. Talvez o Quintino Aires tenha razão, e fosse boa ideia se os meninos brincassem com bonecas, pois iria fazer com que fossem mais gentis com as mulheres.

O facto de no livro a mulher ser inexperiente, com baixa auto estima, até certo ponto vulnerável perto de um homem rico, poderoso, confiante, lindo, e se tornar sua submissa, pode representar para algumas mulheres o retrocesso da liberdade da mulher. Durante muito tempo a mulher tem sido rebaixada perante o homem. Aqui em Portugal no Salazarismo, a mulher era vista como a dona de casa, e o homem nada fazia em casa e trabalhava. Contudo, como todos sabemos a maioria dessas mulheres trabalhavam ao mesmo tempo que faziam a lida doméstica, ao passo que o homem pouco ou nada fazia em casa.

A violência está inerente a nós, no nosso âmago. Durante milhares de anos fomos selvagens, predadores, e por tal é normal que o espirito de competição e violência esteja ainda connosco. Por mais moralistas que queiramos ser, nem todas as pessoas conseguem ser civilizados. Por vezes são as pessoas que achamos serem normais, que são mais violentas, devido a várias razões. Mas não creio que as pessoas se tornem violentas por lerem um livro destes.

Não considero a prática de BDSM violência. Porque vejamos, não podemos nem de longe comparar, uma relação onde não existe amor verdadeiro, e onde o homem passa-se da cabeça com a mulher e lhe maltrata, onde pode inclusive bater, ou mesmo matar por ciúmes, por machismo, egoísmo, enfim, com uma relação onde existe amor, e onde têm uma prática diferente de sexo, tudo consentido, em que um é dominador e outro é submisso. Vejo como um jogo de poder sexual, e não como violência, onde existe o medo.

Anastasia na sua inocência, como amava Grey, o queria mudar, e por isso aguentava aquilo tudo, até que ele lhe bateu (com consentimento dela) e ela não aguentou e saiu da vida dele. (Fim do primeiro livro) Contudo ela podia ter falado as palavras de segurança e não fez, porque queria provar algo a ela mesma, e não conseguiu. Tudo isto faz lembrar muitas mulheres que continuam com homens que não as merecem, e que elas por amor continuam com eles, na esperança que eles mudem, aturando muita coisa que não deviam.


Acho que para lermos este género de livro é preciso alguma maturidade, para não pensarmos que tudo o que está ali escrito é verdade, e sabermos distinguir fantasia da realidade. Certas partes estão carregadas de romantismo, o que é bom num livro, mas que nem sempre acontece na realidade. Porque o facto de muitas mulheres gostarem do livro não significa que haja muitas mulheres que queiram ser submissas, apenas, a meu ver, que algumas não se importavam de apimentar um pouco suas relações, e que talvez gostassem de ter um homem que soubesse o que faz. Sim, porque Grey pensa em tudo.

Muitas mulheres são emancipadas, multifacetadas. Têm um emprego como o homem, mas depois acumulam funções, como cuidar da casa, dos filhos, e outras acções e decisões. E por vezes o campo sexual é um pouco esquecido, e existe por vezes devido a vários problemas, falta de vontade de fazer sexo. Mas nesta história, existe sempre uma vontade muito grande de ambas as partes de estar sempre a fazer sexo, e talvez seja mais essa a ideia que fascine mais as mulheres, digo eu.

Cada pessoa interpreta o livro conforma suas vivências, e tira o que achar melhor do livro. O livro embora tenha mais público feminino, existem homens que gostam de livro também. E em parte talvez o facto de a Anastasia querer agradar sempre Grey, e como uma cena do livro que me lembro, que estavam no banho, e ela lhe faz sexo oral, e num golpe de sorte de precipitante engole o esperma, de certa forma é mais uma fantasia masculina. Existem mulheres que não fazem isso, nem sexo oral quanto mais, nem toda a gente tem assim tanta abertura no sexo. Ou melhor por vezes as pessoas não querem fazer algo diferente para agradar o parceiro/a, e ficam ali parados sexualmente. Depois admiram-se quando são traídos. Embora muitas traições não se devam pela falta de sexo, mas existem pessoas que traem pela falta de sexo ou pela pouca variedade. Digo isto por desabafos anónimos que me contaram. 

2 comentários:

  1. Correndo o risco de ser a única, e ser cahamada de imatura ou não romãntica, possso dizer que não gostei nada do 1º livro. Só li esse. Sobre o relacionamento sexual deles, não me pronuncio! Mas, em termos de felicidade, nem a Anastacia era feliz, com a porrada que apanhava, fora da sala da tortura, que aí era num clima de sexo, nem o Grey era feliz, parecia mais atormentado e com vontade de se libertar. A Anastacia, penso que só aceitou esse tipo de relação porque gostava do Grey e tinha curiosidade de saber se aquilo a faria feliz e decidiu tentar....

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    1. Olá Heidi

      Com o marketing que os livros tiveram, houve muita gente que leu, e algumas não gostaram. Logo não és a única, existem muitas criticas negativas em relação ao livro, inclusive a aconselhar que outras pessoas não o leiam. Eu não faço isso, primeiro porque gostei, segundo mesmo que não gostasse, cada pessoa tem o seu gosto. Nem toda a gente também gosta de Saramago. Lógico que não vou comparar Saramago, que se dedica exclusivamente à escrita, ou uma pessoa que escreveu um livro, que trabalha noutra área.

      Em relação à "porrada" que Anastasia levou, isso foi decisão dela. Ela ama-o, e quer de certa forma que ele a ame também, embora ele nunca lhe tenha prometido nada. Acerca da felicidade isso é muito subjectivo. Mas tem partes em que tem cenas de sexo, onde existe muito prazer. Lógico que o prazer não é sinónimo de felicidade.

      O facto de gostarmos ou não de um livro não faz de nós imaturos Heidi. Cada pessoa tem o seu gosto pessoal, e gostos não se discutem. Tal como cada pessoa interpreta de forma diferente o livro e certas cenas que o livro retrata.

      Fica bem Heidi ;)

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