Pintura de Max Petrone
As folhas rasmalham, produzem uma certa sinfonia quando o vento passa por elas. Fortes troncos emergem do solo, fixos, rígidos e nunca mudam de sítio. No topo a verdejante folhagem, que nos dá sombra, nos faz estarr melhor num dia tão quente. A beleza não está na perfeição, mas muitas vezes está quando a imperfeição nos transmite algo de belo e singular. Singular, único, incomparável, imensurável. Gosto desta brisa, de sentir. Não gosto de ver o lixo no chão, beatas de cigarro igualmente depositadas no chão onde estou. Queria me sentir mais livre. Acho que tantos anos de repressão agora dão em cenas maradas mesmo. Dou comigo a viver coisas que nunca pensei viver, algumas que iria criticar bastante. Por um lado ensina-me a ver muita coisa, e a aceitar/tolerar melhor as coisas. Mas francamente acho que já era assim. Talvez eu não consiga crescer bem, e então ainda viva no plano térreo mesmo. Ou então ando a tentar entender algo que ainda não entendi.
Quando não se tem raízes é-se inconstante, é preciso ter raízes para fixar, não vacilar. E não é não fazer porque achamos mal, ou porque pensamos demasiado no que os outros pensam. Tanta coisa mudou e ao mesmo tempo não mudou.
A fantasia é uma cena tramada, e porque fantasiamos?! Na verdade o fazemos porque a realidade não é o que desejamos. E por tal sonhamos com outras coisas diferentes ou coisas que num canário normal nunca aconteceriam. Por um lado é a adrenalina, a cena do proibido.
Os pássaros chilreiam e nunca nos admiramos com a beleza. O desejo crepita. O vento sompra, apazigoa a minha alma, mas continou confusa. Tremedamente confusa e instável, por tal minha letra continua a mudar. Acho que o que falta muito neste mundo é o respeito, e tal proeza vem do amor. E por isso mesmo muitas pessoas aparentam ter respeito, mas na verdade não o sentem porque também não têm amor nos seus corações, nem o tentam ter. E amor é como uma planta é preciso cuidado, não basta pensar, é preciso actuar. Cada vez as pessoas actuam numa de moda e não de uma de sentir, porque vejamos nós somos animais superiores, então supostamente deviamos caminhar para a consciência. Eu falo isto, mas muitas vezes ando para aí perdida a ver não sei o quê. Mas ainda para aqui me questiono sobre certas coisas, ao passo que certas pessoas nem isso. E isso é algo que não deveríamos perder - a capacidade de nos questionarmos como as crianças, e também a capacidade de nos supreendermos. Tudo passando a ser rotina deixa de ter brilho, e deviamos procurar nós mesmo isso e não esperar que alguém nos traga esse brilho. Ou melhor parar de fazer teatro, e admitir a vida que temos e tentar mesmo mudar. Muita gente queria mudar, contudo nada faz para tal. Acomodam-se ao confortável, enfim...mas depois fantasiam.








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