Em ruas despidas descem carros pela calçada. Paredes abandonadas, salpicadas por spray com formas sem nexo ou beleza alguma, em se perde a genuinidade das ruas de Lisboa, me acompanham nas minhas caminhadas. Ou então nem se perdeu nada, visto que a ideia de que todas as ruas seriam bem cheirosas é hipotética, tendo em conta que sempre houve miséria, e jogavam seus dejectos pela janela a fora. Posteriormente, pelo que sei eram recolhidos, mas acho que nada iria retirar aquele cheiro. De facto gente da nobreza tomava poucas vezes banho, em comparação com um pescador. Hoje em dia é que todos temos esta mania de tomar banho todos os dias.
No chão se acumulam pontas de cigarro, para não falar do lixo dispersado. Apressadas as pessoas andam, numa correria infernal em que não existe descanso, em que os olhos nem podem enaltecer o que resta de beleza, nem olhar para outras pessoas senão com o objectivo de criticar internamente. Parece que ninguém quer saber ou sabe quando acreditar que o outro precisa de ajuda. Uma palavra amiga, um desabafo, pequenas coisas se perdem na viragem dos tempos, quando devíamos estar cada vez mais a abrir nosso coração, estamos cada vez mais fechados pelo medo ou protecção.








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