Dissertação sobre a palavra Foder
Ui o título é mesmo sugestivo. Isto vem a propósito de um desafio que recebi de um leitor, para escrever sobre a palavra foder. Ainda um dia estava a falar sobre vários assuntos com uma amiga e, já nem me lembro como foi, mas a certa altura ela disse que foder não é o mau, mas sim uma violação. Nada mais certo que isso. Por detrás de uma palavra esconde-se muitos sentidos, expressões, sentimentos, questões culturais.
Ainda no outro dia alguém dizia que o sexo deve ser feito com amor. E de certo que sempre pensei isso. Essa mesma pessoa dizia que paixão é uma espécie de amor precoce. Mas pergunto-me a mim mesma será bom ou melhor será correcto confinar as coisas desta forma e negar a força do sexo, da natureza?! Ok! para seres mais iluminados isto será a versão melhor, mas verdade seja dita raros de nós o são, e o que se passa é que na maioria é que não existe esse desejo ardente do sexo isso constata-se unicamente porque o sexo está a ser controlado, manipulado pela mente. Ou seja existem filtros, condicionalismos da sociedade sobre o que é correcto e não o é. Mas e se pensarmos sem filtros?! Será que não temos fantasias?! Será que todas as fantasias devem ser oprimidas como os sonhos?! Sim! muita gente até abandona o sonho de uma paixão e um amor e fica-se pelo amor. Ok! o amor é sempre o mais importante, mas vejamos, sem paixão e só com amor, não será isso uma amizade?!
Um rapaz me disse que conheceu uma prostituta que durante 6 ou 7 anos não teve nenhum orgasmo. Não sei ao certo se era unicamente quando estava com os clientes, e os tinha quando se masturbava sozinha, ou se foi mesmo esse tempo todo sem nenhum orgasmo. Mas mesmo que seja só com os clientes, será isso o correcto?! E pior, sim! pior são esposas, mulheres casadas com homens que supostamente existe amor, e não existe orgasmo. Será isso o certo?! Muitas vezes as pessoas vivem presas e não se conseguem libertar. E para libertar é preciso nos livrarmos de condicionalismos de certo e do errado, como por exemplo que foder é mau e que fazer amor é que é lindo. Verdade ou não existem casais que nem foder fazem, só fazem o chamado fazer amor. Com isto não digo fazer com sentimento, mas o que agora quero dizer, é que fazem de forma tão branca e fraquinha que claro que não dá pica. Ok! cada um gosta do que gosta e nada melhor do que variar. Pois tem momentos que só queremos mesmo é um abraço e carinhos, mas a vida não é só feita de dias de sol, existem dias de chuva e de noite. Então ser-se animal e fazer sexo de forma selvagem não é mau. Mau é haver regras pre-definidas.
A palavra em si pode ser uma forma de libertação, de erotismo que perpetua o desejo. Contudo como disse aliado a esta palavra está um sentido pejorativo, nem sempre é dito como uma componente sexual, mas normalmente sempre com uma carga muito negativa. Segundo o que li, o emprego da palavra é algo machista, sendo até também aliado a uma violência sexual em que o homem é quem fode, quem exerce o poder. A palavra foder diz vir do latim vulgar futére que significa ter relações com a mulher.
"(…)Mas se precisa tanto de companhia por que não abre o
coração a alguém?
Estou mal arranjo uma companhia?!? Arranjar mulher porque
preciso de companhia era no tempo do Salazar. Respeito as pessoas. Uma mulher
sentia-se bem com um homem que dissesse: ‘ amo-te, és linda, deixa-me
foder-te’, só porque queria companhia e alguém à espera quando chegasse a casa?
Se fosse mulher sentir-me-ia muito mal se alguém estivesse comigo só porque
precisava de alguém à espera em casa. Prefiro tratar das minhas neuras sozinho.
Nunca diz ‘fazer amor’?
O amor não se faz, acontece. Essa expressão é feíssima. Ama-se,
faz-se sexo, mesmo que seja com amor. Isso é um preconceito português de achar
que foder é só com as putas. Um dos grandes tabus da humanidade continua a ser
o sexo. Como é possível viver os dias de hoje sem prazer? O sexo não serve só
para procriar! Acho a expressão ‘fazer amor’ muito pouco ‘tesuda’.(…)"
Trecho de uma entrevista ao Rogério Samora, publicada na
revista Tabu, do jornal Sol, de 27/10/2007.