Ainda não tinha pensando nesta perspectiva, mas de facto é mesmo verdade, e do ponto de vista filosófico e sociológico faz todo o sentido. Nós sociedade criamos símbolos, dos quais faz parte a linguagem e formas diferentes de agir, e cada cultura tem os seus. Como forma de nos relacionarmos cada vez mais usamos os tais símbolos e por vezes perdemos a realidade. Isto porque agora também com tanta evolução, esquecemos ou então não queremos nos relacionar com o Eu, mas sim com os símbolos. Ou seja, damos mais importância aos símbolos do que ao ser.
Uma mesma coisa, acto ou palavra pode ter imensos significados em vários sítios, e isso varia muito, contudo não é por isso que não nos podemos relacionar e entender com pessoas de países e culturas diferentes das nossas, o que significa que existem coisas em que seremos sempre iguais. Tristeza é igual em todo o lado, e amor também por exemplo. E amizade também...logo é estúpido dizer que amizade é isto ou aquilo porque assim nos foi dito e bla bla bla. Existe um apego a formulas, métodos para ter o que se quer, e ser o que se espera que sejamos.
Os símbolos remetem-nos assim a ideias, e por ventura mostram-nos uma aparência e nem sempre a realidade. Aprendemos a ter a tal boa educação, e reagir de determinada maneira e não de maneira mais autêntica, aprendemos a nos relacionar com as nossas capas, e não com os nossos eus. Isto porque muitas pessoas têm até medo de se relacionar assim e mostrar quem são e por tal acham mal quando os outros dizem tanta coisa da sua vida.
Na sociedade contemporânea, diferentes culturas partilham os mesmos códigos, ou incorporam-nos nos seus meios (linguagens, roupa, comida, objectos, etc.) e da mesma forma que o reconhecimento de um signo requer o conhecimento do seu código, o código necessita de familiaridade com a sua cultura (Hurwitz, 1993).
Aprendemos a usar as várias técnicas e manobras para esconder quem somos e mostrar quem queremos mostrar, e não queremos na verdade nos relacionar com os outros. Por vezes a verdade é suja mesmo, que só usamos os outros. Ainda no outro dia perguntava a um rapaz que tem uma amiga quase íntima que anda sempre com ela, se ela tinha namorado, e ele disse que não sabia. E eu penso mas que raio de amizade é mesmo esta, que no facebook até parece mais um namoro e depois não sabem nada um do outro, ou melhor pelo menos ele não sabe dela. Relacionam-se, mas depois ninguém sabe ver a alma de ninguém, nem se o outro está bem ou não, se nos está a usar ou não. Enfim...Mas a culpa não é dela, a maior parte da culpa é dele, neste caso.













