VII (
Reflexões)
O ar estava carregado de desejo, aquecido por corações palpitantes, abafado por gemidos, emudecido pelo prazer insano de chegar mais além, de viver tudo como se fosse o último dia. O certo e o errado não tinham ali lugar, nem sentido, o conteúdo do que se passava ali era algo de animal e ao mesmo tempo que quiça algo divino.
Será que não é tudo um sonho?
Será possível os dois poderem ficar juntos, se são tão diferentes, se se entregaram tão depressa ao desejo carnal?
O sexo é algo tão bom, mas tão bom, como um bolo de chocolate, em que dá vontade de comer mais e mais. Mas caso não haja algo após isso que suporte algo tão natural instintivo como o sexo, tudo não passa de um vazio de almas. Tal como comer o bolo de chocolate, em que resta senão angústia, e um sentimento de que somos senão um objecto. Os corações têm que ambos ter a mesma ambição, de amar, melhor dizendo de partilhar o amor que cresce desses corações de corpos carentes.
Na realidade surge a problemática das doenças, sexualmente transmissíveis, que muitas vezes é esquecida no seio de desejos ardentes, de corpos jovens que buscam somente a satisfação e o prazer. No fundo é o instinto de acasalamento, a nossa prisão, e por isso religiões usam isso para nos controlar. Por outro lado surge a pornografia, a prostituição, e a espontaneidade, criatividade e inocência desaparecem.
Sofia é uma mulher rapariga como tantas outras, uma sonhadora, artística, que anseia a vida na sua plenitude, que anseia a felicidade e viver um grande amor. Jorge é algo fora do normal, pois sendo muito rico, nada iria dizer que de verdade se iria apaixonar por ela, uma simples mulher. Se ele não fosse tão rico, por mim seria o mesmo, o mesmo sentimento, apenas não seriam hotéis 5 estrelas.
Por vezes as pessoas têm tanto medo, que até fingem sobre quem são, que fazem tudo para agradar o outro. Não sou contra isso, mas acho que devemos ser genuínos, e por vezes perdemos isso, essa característica de criança. Passa a ser tudo programado, controlado, e temos medo de assumir uma relação. Pensamos se valerá mesmo a pena, se essa pessoa nos irá fazer feliz, e para tal a testamos. Não será isso demasiado meticuloso, demasiado frio?!
Onde anda a magia, o entusiasmo, a loucura? Onde está o coração aberto, quando se decide que aquela pessoa não merece ser nossa namorada, mas que servia para sexo? Poetas, escritores, pintores, enfim...artistas são pessoas em geral com uma visão diferente, mais romântica talvez, mas mais intensa, mais cheia de esplendor. Pessoas vulgares são como máquinas ambulantes, a pensarem no que os outros pensam, a querem agradar os outros para serem aceites na sociedade, a quererem ser melhores que os outros. Pessoas insatisfeitas, são pessoas que não amam, sempre buscando mais e mais, como um prazer insano que não lhes satisfaz.