sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Palavras soltas


Tem pessoas que falam que nos compreendem, mas no fundo não passaram da linha do pensamento. Daí a razão pela qual não conseguem nem entender o sofrimento alheio, ou certas coisas da vida. Apenas mostram reflexos normais da sociedade, indicativos e expressões de boa educação. Tudo formatado, tudo de forma controlada. Onde está a espontaneidade? 

Queremos ser diferentes, especiais, e ao mesmo tempo ser aceites na sociedade. No fundo queremos muito ser aceites, que gostem de nós, e para tal muitas vezes envolvemo-nos no elenco do ego. Damos mais ênfase ao ego, do que a nós mesmos. Por tal existem tantas operações plásticas, mudar algo que até não está mal, mas que queremos que seja como nós desejamos, como idealizamos. Então usamos o dinheiro, para colocar silicone nos seis, fazemos cirurgia para diminuir os lábios pequenos que são grandes. Sim! porque muita gente acha que tem que ser como as imagens que nos tentam incutir, e quando vêem que o seu corpo é bem diferente fica cheia de complexos. Mas será que a cirurgia melhora mesmo a auto estima? Acho que quando dependemos de algo assim, nunca vamos estar satisfeitos. Podemos ficar por uns tempos, mas mais tarde surge outro problema. Há sempre uma desculpa pela qual não gostamos de nós. Mas acredito que muita gente tenha o coração fechado e por tal não ame por tal. 

O mar tem dias tempestuosos, e outros calmos, ele não deixa de ser o que é por nós pedirmos para ele mudar. Ele é o que é. Nós também não temos que ser linhas rectas, como muita gente crê. Contudo as pessoas que se mostram ser coerentes, educadas, por vezes até cínicas, mas calmas, são as melhores vistas. E alguém que ora está bem, ora fica triste, ora chora, ora ri, é visto como um doida. 

Há pessoas que acham que as mentiras são necessárias num relacionamento. Como pode ser?! Para mim quando existe amor, o espaço para as mentiras é nulo. Amor verdadeiro é respeito, e não pode existir medo. Porquê que existe medo do que o outro vais pensar ou não!? Porquê que existe medo de não agradar o outro?! Porquê que existe medo de que o outro fique zangado, e acha-se que assim é melhor?! Quem tem medo de verdade não ama. Acha que ama, mas quando se está numa relação povoado de sentimentos de medo de perder, ou que seja é porque ainda não se ama simplesmente. Acha-se que o amor é como uma flecha que o cupido lança de cima de uma nuvem. Que é olhar para aquela pessoa que nós vamos sentir algo, um formigueiro na barriga. No fundo isso é mais a ansiedade, o medo, e o desejo e não algo como o amor. 

Esperamos sentados pelo amor, pela pessoa amada que fará tudo por nós, que basta olhar para nós e faça coisas lindas por nós. Esperamos, sem antes tentar, errar, nos envolvermos, para não sofrermos, e queremos nós pensar também, para não fazer sofrer o outro também. Porquê não sermos sinceros e honestos?! Nem que seja connosco mesmos?! 

"É mais fácil ser sincero com estranhos. As pessoas que viajam de trem começam a conversar com estranhos e afirmam coisas que nunca afirmaram antes aos amigos, porque com os estranhos não há nada em jogo. Depois de meia hora, a sua estação vai chegar e você vai descer; você vai esquecer e ele irá esquecer o que você disse. Portanto, o que quer que você tenha dito não faz diferença. Nada está em jogo com um estranho." (Osho)




quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Continuação do Conto - Serviço de Hotel 5 estrelas

VII (Reflexões)



O ar estava carregado de desejo, aquecido por corações palpitantes, abafado por gemidos, emudecido pelo prazer insano de chegar mais além, de viver tudo como se fosse o último dia. O certo e o errado não tinham ali lugar, nem sentido, o conteúdo do que se passava ali era algo de animal e ao mesmo tempo que quiça algo divino. 

Será que não é tudo um sonho?
Será possível os dois poderem ficar juntos, se são tão diferentes, se se entregaram tão depressa ao desejo carnal?

O sexo é algo tão bom, mas tão bom, como um bolo de chocolate, em que dá vontade de comer mais e mais. Mas caso não haja algo após isso que suporte algo tão natural  instintivo como o sexo, tudo não passa de um vazio de almas. Tal como comer o bolo de chocolate, em que resta senão angústia, e um sentimento de que somos senão um objecto. Os corações têm que ambos ter a mesma ambição, de amar, melhor dizendo de partilhar o amor que cresce desses corações de corpos carentes. 

Na realidade surge a problemática das doenças, sexualmente transmissíveis, que muitas vezes é esquecida no seio de desejos ardentes, de corpos jovens que buscam somente a satisfação e o prazer. No fundo é o instinto de acasalamento, a nossa prisão, e por isso religiões usam isso para nos controlar. Por outro lado surge a pornografia, a prostituição, e a espontaneidade, criatividade e inocência desaparecem.  

Sofia é uma mulher rapariga como tantas outras, uma sonhadora, artística, que anseia a vida na sua plenitude, que anseia a felicidade e viver um grande amor. Jorge é algo fora do normal, pois sendo muito rico, nada iria dizer que de verdade se iria apaixonar por ela, uma simples mulher. Se ele não fosse tão rico, por mim seria o mesmo, o mesmo sentimento, apenas não seriam hotéis 5 estrelas. 

Por vezes as pessoas têm tanto medo, que até fingem sobre quem são, que fazem tudo para agradar o outro. Não sou contra isso, mas acho que devemos ser genuínos, e por vezes perdemos isso, essa característica de criança. Passa a ser tudo programado, controlado, e temos medo de assumir uma relação. Pensamos se valerá mesmo a pena, se essa pessoa nos irá fazer feliz, e para tal a testamos. Não será isso demasiado meticuloso, demasiado frio?! 

Onde anda a magia, o entusiasmo, a loucura? Onde está o coração aberto, quando se decide que aquela pessoa não merece ser nossa namorada, mas que servia para sexo? Poetas, escritores, pintores, enfim...artistas são pessoas em geral com uma visão diferente, mais romântica talvez, mas mais intensa, mais cheia de esplendor.  Pessoas vulgares são como máquinas ambulantes, a pensarem no que os outros pensam, a querem agradar os outros para serem aceites na sociedade, a quererem ser melhores que os outros. Pessoas insatisfeitas, são pessoas que não amam, sempre buscando mais e mais, como um prazer insano que não lhes satisfaz. 



terça-feira, 13 de agosto de 2013

Machismo


Vou falar de algo que me deixa com o coração apertado, que é o machismo. Juro que não entendo como certos homens, e infelizmente ainda são muitos, que ainda pensam que são superiores às mulheres e que elas têm que ser submissas e obedientes a eles. São capazes de ficar ali a olhar uma mulher trabalhar, e ainda mandar biscates de como fazer as coisas, quando nunca as fizeram. Ou então limitam-se a dar ordens, e dizer asneiras e uma pessoa a ter que ouvir tudo, e não pode omitir a sua opinião. 

Mesmo em gerações novas existem estes homens. E pior! existem mulheres com este pensamento também, que as outras mulheres têm obrigação de fazer tudo em casa para o homem. Uma das minhas avós pensa assim, acha muito mal e critica quando vê um homem a fazer algo em casa.  Os homens fazem uso da sua força, que é superior, para meter medo na mulher e existem muitos crimes no País que provam isso, que o resultado pode ser desastroso. Mas vivemos num cultura em que acha que não se deve meter entre homem e mulher, e depois fica assim. Houve um caso de um homem que após matar a mulher, não foi preso e ainda ganhou a parte da reforma ou pensão da mulher. Ultrajante saber que isto ainda passa tudo imune. Por vezes em vez de tentar proteger a vitima, os vizinhos só sabem cochichar nas costas em cafés, e depois a mensagem passa para o agressor, que ainda fica mais violento, e podendo passar para o golpe final. 

Associado ao machismo normalmente andam muitos sentimentos e emoções negativas, como o medo, a inveja, cobiça, ciúme, etc etc. Acho piada que as mulheres bandidas nunca ficam com homens bandidos, e o contrário também. Um agressor precisa sempre de um elo mais fraco, alguém a quem pisar, explorar, humilhar, maltratar, etc. E nem sempre a vitima sabe onde se está a meter, porque muitos homens antes de casar são muito diferentes, e só com o tempo é que mostram a verdadeira faceta. Isto devia terminar, mas não entendo o porquê de ainda continuar. 





domingo, 11 de agosto de 2013

Desabafos


Não tenho estado bem, mas ao menos assumo isso. Em vez de aceitarem e tentarem compreender, só me querem mudar, querem que eu seja outra pessoa, que eu deixe de sentir o que sinto, que eu ache que tudo o que estou a passar é menos do que a outra pessoa está a passar. Já há muitos meses que ando mal, mesmo antes de ter ficado sem emprego. A pressão era muita que eu sentia, no fundo queriam que eu me despedisse. Agora nem que vá para a estrada trabalhar já não consigo ganhar o mesmo. Contudo há pessoas que ganham bastante bem, acima dos 1000 euros, e mesmo assim se queixam. Só eu sempre estive muito longe de tal, mas será que sou mais burra que os outros?! Será que uns cursos é que são cursos e os outros não são nada?! Acho incrível isso que as pessoas têm. Uns acreditam mesmo que estão ali porque são melhores que outros. Será mesmo!? 

Eu não vou dizer que não existem pessoas mais mais problemas que eu, mas também não ando a jogar isso na cara dos outros, quando os outros se veem queixar a mim. Tudo é diferente, somos todos diferentes, e temos problemas diferentes, sentimos de forma diferente. Não vou dizer que sou sempre certa, mas também às vezes até me custa que não desabafem comigo, que não partilhem comigo os seus problemas. Se calhar por isso não querem que eu abra o meu coração depois. Parece pecado dizer o que penso. Claro que eu sei que há pessoas que se queixam de merdices mesmo, que gostam de ser os coitadinhos. Mas eu não sou obrigada a estar sempre bem, a dizer sim a tudo, a ter sempre boa educação que os outros esperam. Não tenho bola de cristal. Muitas vezes só dizem o que acham de nós, nas costas. Um género como - ah já vistes a beltrana, coitada, anda tão mal, obcecada, eu só quero o bem para ela, mas ela é que não quer. Etc etc, mas depois não se sabem ver ao espelho, e nem conhecem bem a beltrana. Mas comentam com outra pessoa que nem conhece a beltrana, só para a fachada do bonzinho(a) continuar. 

Normalmente uma pessoa se queixa de x e outra diz, algo como - ah eu também passei por isso, ou também tenho um pai assim, ou eu também tenho essa doença se se chama y, mas depois é muito diferente. É diferente, e não é normal andarmos sempre com comparações, achando que só por que uma pessoa se comporta assim, que o outro também tem que se comportar assim. Querem até que tenhamos os mesmos gostos que eles ou elas. Por isso existem tantos grupinhos, que dentro de um grupo as opiniões são muito semelhantes, e quando pensamos diferente, ups estragou se tudo. 

Existe algo intrínseco em nós em tentarmos agradar os outros, em ganharmos uma auto estima. Se todos pensarem que não prestamos como conseguimos ser bons?! Então muito esforço é feito para que a opinião alheia seja a desejável. E quando alguém diz algo diferente, dizem - mas nunca ninguém me disse isso, logo estás errada. Será mesmo?! Ou será que os outros nunca disseram o que acham na cara?! Muitas pessoas não se relacionam de verdade, muitas não se mostram por completo, e algumas até se aproveitam das fraquezas dos outros. Quantas vezes isso já me aconteceu no trabalho?! Ficaram a saber coisas da minha vida, e jogaram-me isso em cara. Mas será que elas também não tinham problemas?! Se calhar, mas não demonstravam isso, sempre com a capa dura. Só nos querem quando dá jeito. 

Eu quando era mais nova tinha muito mais paciência e esperança, mas cada vez fico mais calejada. Uma pessoa acredita e depois leva uma panzada em cima. E depois o irónico, o mais irónico. Vou desebafar com betrano, a dizer algo, e ele concorda comigo - ah e tal tens razão. Depois passamos por alguma situação e ele faz o que criticou na outra pessoa, mas depois não vê o erro nele. Nele(a) nunca é de maldade, nos outros é que é. Eu assumo que tenho pessoas não gosto e ponto final, e não tenho que as tentar agradar, como elas tentar fingidamente fazer comigo. Se calhar tenho temperamento de cigana. 


Pintura de Francoies Fressinier

sábado, 10 de agosto de 2013

Onde está o amor? Onde está a amizade?


Hoje fiquei triste, desiludida. Enfim...já vi que algumas pessoas não tiveram culpa, mas houve quem tivesse. Ou melhor a culpa foi minha por ter depositado confiança nele. Resumindo fiquei triste em casa. Foram mais alguns problemas aqui em casa, que também me deixaram muito preocupada. E só se ouve nas notícias tragédias, ainda fico mais aflita. Enfim...onde está o amor? onde está a amizade? se calhar é castigo também por não ter sido uma boa amiga ou sei lá. ou é mesmo uma falta de sorte. 




sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Vidas alternativas :)


Embora estejamos a caminhar para um mundo cada vez mais industrializado e mecanizado, em paralelo existem pessoas que optam por vidas alternativas, mais naturalistas. Agora as feiras medievais podemos ver muitas dessas pessoas, e constatar que é uma opção muito boa, sendo que parecem ser mais livres, felizes e saudáveis. 

Mas não sou muito de ir atrás dos outros, mas que devemos sempre ser nós mesmos. Ou seja estar num grupo onde possamos ser nós mesmos, livres. É que por vezes o que assistimos é uma persistência dos outros para que sejamos como eles. Por vezes isso é implícito, e nem sempre é dito logo na nossa cara, da melhor maneira. Mas será tão difícil compreender que, uma coisa é ajudar a outra pessoa a ficar um pouco melhor, outra coisa é tentar que ela seja como nós. 





quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Às vezes não somos nós, desempenhamos apenas um papel


Por vezes andamos aqui a desempenhar papéis, funções, que depois nos apegamos e não conseguimos nos livrar de tal. Ontem vi na televisão, sobre mães super protectoras, em como uma mãe se apagou e tal forma ao papel de mãe, que nem deixava o filho crescer, ter responsabilidades, por medo. Ela até assumiu que ficava triste por ver que o filho conseguia fazer coisas sem ela. Ela tinha medo de o deixar ser independente, pois depois não ia precisar dela, e posteriormente a vida dela deixava de ter sentido. Acreditava que para ser boa mãe tinha que o proteger, mas depois caia no exagero, caia num papel de mãe e não em ser uma mãe somente. 

Tanto no seio da família, como numa empresa, ou outra instituição, desempenhamos papéis tão afincadamente que nos esquecemos que  somos humanos, que por detrás de uma função está uma pessoa com sentimentos. Aprendemos a mecanizar tudo, inconscientemente a tornar pessoas em máquinas. Temos à nossa volta indústrias que nos exploram, com o objectivo de lucrar e não de nos proporcionar  bem estar, apenas um prazer instantâneo, uma ilusão da alegria, da felicidade. Mesmo na saúde são indústrias em visam lucrar com o nosso suposto bem estar, e muita gente preocupa-se mais com o dinheiro do que em nos fazer bem. Mas contudo para certas pessoas parece ser algo tão natural isso. Valores são sobrepostos por algo como dinheiro. 

Onde fica a amizade mesmo? Onde vagueia a energia do amor? Muitas pessoas acham que sabem o que é o amor, outros esperam que o amor entre na vida deles como um raio de magia. Nós muitas vezes nem sabemos lidar, nos relacionar com os outros, apenas lidamos com a imagem que temos dessa pessoa. 

Por vezes não nos preocupamos com os outros, apenas continuamos a desempenhar um papel de tal, ou o papel de mãe protectora, ou de amigo com bom coração que só quer ajudar, etc etc. Não queremos deixar  papel, pois isso significa deixar o ego, deixarmos de ter valor, significado. Exigir coisas dos filhos, querer que eles faça isto ou aquilo, criticar certas atitudes, achar que eles nem sabem escolher uma namorada quando são adultos, é algo que vem da faceta do papel de mãe, E por vezes os filhos acreditam mesmo que os pais só os querem proteger, mas não, estão apenas a desempenhar os tais papéis, para se sentirem úteis, com valor. Parece que sem isso a vida deixa de ter sentido. Os filhos por outro lado também desempenham o papel de filhos, e desejam a aprovação dos pais, e caso não consigam sentem-se mal com eles mesmos. 





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