Tem pessoas que falam que nos compreendem, mas no fundo não passaram da linha do pensamento. Daí a razão pela qual não conseguem nem entender o sofrimento alheio, ou certas coisas da vida. Apenas mostram reflexos normais da sociedade, indicativos e expressões de boa educação. Tudo formatado, tudo de forma controlada. Onde está a espontaneidade?
Queremos ser diferentes, especiais, e ao mesmo tempo ser aceites na sociedade. No fundo queremos muito ser aceites, que gostem de nós, e para tal muitas vezes envolvemo-nos no elenco do ego. Damos mais ênfase ao ego, do que a nós mesmos. Por tal existem tantas operações plásticas, mudar algo que até não está mal, mas que queremos que seja como nós desejamos, como idealizamos. Então usamos o dinheiro, para colocar silicone nos seis, fazemos cirurgia para diminuir os lábios pequenos que são grandes. Sim! porque muita gente acha que tem que ser como as imagens que nos tentam incutir, e quando vêem que o seu corpo é bem diferente fica cheia de complexos. Mas será que a cirurgia melhora mesmo a auto estima? Acho que quando dependemos de algo assim, nunca vamos estar satisfeitos. Podemos ficar por uns tempos, mas mais tarde surge outro problema. Há sempre uma desculpa pela qual não gostamos de nós. Mas acredito que muita gente tenha o coração fechado e por tal não ame por tal.
O mar tem dias tempestuosos, e outros calmos, ele não deixa de ser o que é por nós pedirmos para ele mudar. Ele é o que é. Nós também não temos que ser linhas rectas, como muita gente crê. Contudo as pessoas que se mostram ser coerentes, educadas, por vezes até cínicas, mas calmas, são as melhores vistas. E alguém que ora está bem, ora fica triste, ora chora, ora ri, é visto como um doida.
Há pessoas que acham que as mentiras são necessárias num relacionamento. Como pode ser?! Para mim quando existe amor, o espaço para as mentiras é nulo. Amor verdadeiro é respeito, e não pode existir medo. Porquê que existe medo do que o outro vais pensar ou não!? Porquê que existe medo de não agradar o outro?! Porquê que existe medo de que o outro fique zangado, e acha-se que assim é melhor?! Quem tem medo de verdade não ama. Acha que ama, mas quando se está numa relação povoado de sentimentos de medo de perder, ou que seja é porque ainda não se ama simplesmente. Acha-se que o amor é como uma flecha que o cupido lança de cima de uma nuvem. Que é olhar para aquela pessoa que nós vamos sentir algo, um formigueiro na barriga. No fundo isso é mais a ansiedade, o medo, e o desejo e não algo como o amor.
Esperamos sentados pelo amor, pela pessoa amada que fará tudo por nós, que basta olhar para nós e faça coisas lindas por nós. Esperamos, sem antes tentar, errar, nos envolvermos, para não sofrermos, e queremos nós pensar também, para não fazer sofrer o outro também. Porquê não sermos sinceros e honestos?! Nem que seja connosco mesmos?!
"É mais fácil ser sincero com estranhos. As pessoas que
viajam de trem começam a conversar com estranhos e afirmam coisas que nunca
afirmaram antes aos amigos, porque com os estranhos não há nada em jogo. Depois
de meia hora, a sua estação vai chegar e você vai descer; você vai esquecer e
ele irá esquecer o que você disse. Portanto, o que quer que você tenha dito não
faz diferença. Nada está em jogo com um estranho." (Osho)












