Achei um diário que tinha, e relendo alguns textos, vejo como as coisas há muito tempo que correm mal aqui em casa. O tempo é que faz esquecer, e penso que é só agora que está pior. Quer dizer, cada vez está pior, onde antes não haviam ameaças tão expressas de uma forma tão clara. Mas também vi, que em muitos momentos, estava embrenhada no ego. Esta coisa que querer chamar a atenção, e achar que os outros estão contra mim é reflexo disso. Eu sei que nem todos estão contra mim, mas tem pessoas que me desiludem tanto, e outras ou as mesmas em que me sinto apenas mais um produto e não alguém com valor, especial. Isto em parte é por causa de em vez de alguém me apoiar, só sabem dizer que não sou capaz. Como é que uma criança consegue se tornar um bom adulto, maduro, se só sabe ver os pais a se darem mal. As crianças gostam muito de agradar os pais, e eu sempre quis agradar o meu pai, mas de há uns anos para cá, vi que é algo impossível. Ele nunca gostará de mim, e sinto-me ofendida quando me tentam dizer que no fundo ele gosta de mim. Para dizer a verdade, o meu pai não gosta de ninguém. E vejo que conviver neste ambiente só me faz mal. Mas depois penso na minha mãe, e por tanta pressão não foi estudar para longe.
Só desabafando o que sinto é que melhor conseguirei viver. Deixar registo do que sinto, vejo, desejo e vivo, é parte integrante da minha existência. (2000)
Houve uma altura no 12º ano que foi à psicóloga da escola, e isso me fez tão bem. Mas depois foram só poucas secções e não deu para muito. No início era para escolher melhor a área para ir para a universidade, porque eu tinha muita coisa na cabeça, e não sabia ao certo o que escolher. No fim o critério de escolha, acabou sendo a zona e os cursos dessa zona. Parece que para eu ser livre e feliz, os outros ficam todos desapontados comigo, como a minha mãe. E depois vou me deixando ficar aqui, numa tentativa de acalmar as águas.
É engraçado como a verdade é tão mutável, como hoje penso algo como certo e depois é algo muito diferente. Em como achamos que determinada pessoa é que está errada e noutro dia vemos que afinal era tudo tanga, coisa que nos enfiaram na cabeça. Parte da minha família é muito complicada, e tenho uma família pequena. Não querem buscar o amor, sempre foram infelizes e isso sim é o natural, o normal. Só a minha avó materna tem uma visão diferente da vida, é alguém que eu gosto muito mesmo, e sei que ela sempre gostará de mim. Nem sei o que era de mim se não fosse ela. Isto porque a minha mãe, por vezes sem querer me faz sofrer, por continuar com este homem frio.














