segunda-feira, 18 de março de 2013

Sentimento meu, este que me entristece


Sinto-me mal, novamente mal. Pensava que tudo tinha passado, mas afinal só me sabem provar que não tenho valor, que sou sempre a segunda ou última opção. E depois ainda conseguem ter o desplante de dizer que me amam! 
Não sei o que odeio mais, se o facto de me ter entregue e não ter sido valorizada, ou o facto de eu ser tão burra. E ainda por cima, ele tinha uma amiga que pensava que era uma galdéria qualquer sem sentimentos, só pode. 
Odeio mentiras atrás de mentiras, e não! não é paranóia minha. Digo que não gosto de mentiras, mentem, volto a repetir e depois voltam a mentir. Voltam a me ferir os sentimentos. Fazem-me voar na esperança, e depois cortam-me as asas e caio no chão duro. 
Sim! são sempre as mães deles que têm a preferência, que estão em primeiro lugar. Existem sempre desculpas, desculpas. Farta, farta. E por isso às vezes é melhor cortar o mal pela raiz. Senão acho que podia cair numa depressão ou algo assim, e eu não posso já tenho problemas o suficientes. 
Não vale a pena fazer sacrifícios por um homem, quando nenhum homem os faria por mim. Não vale a pena perder tempo a pensar num homem, quando nenhum homem vai perder o mesmo tempo a pensar em mim. 
E depois ainda acham que têm razão, e acham que sou interesseira ou que não tenho educação. Não conhecem a Anónima, não conhecem a sua alma, a minha alma.






domingo, 17 de março de 2013

Poema: Quero, de Marciana


Quero que fiques,
Que não te arrependas,
Que simplesmente arrisques
Mas que nunca me prendas.

Quero que andes,
Que não faças rodeios,
Que simplesmente comandes
Mas que nunca olhes a meios.

Quero que avances,
Que não queiras recuar,
Que simplesmente me ames
Mas que nunca deixes de me regar.

Quero que sigas,
Que não abandones a essência,
Que simplesmente me digas
Mas que nunca aceites a minha ausência.

Quero que percorras,
Que não aceites a ausência,
Que simplesmente me bebas
Mas que nunca esqueças a essência.

Quero que ultrapasses,
que não permitas paragens,
que simplesmente me marques
mas que nunca largues as minhas margens.

Escrito por Marciana



quinta-feira, 14 de março de 2013

PAIXÃO E AMOR



Hoje vou falar sobre basicamente sobre dois temas, paixão e amor. Palavras diferentes, definições diferentes, contudo existe por vezes uma relação entre estas duas abordagens. Fazem parte das nossas relações pessoas e interpessoais, assim como de certa forma, comandam a forma como seremos ou não felizes, e define ou não o nosso sentido da vida. O que vou dizer é apenas uma pequena parte de tanta coisa que existe para dizer, porque no fundo estes temas são muito abrangentes, e podem ser vistos também à luz dos anos que se passam, e conforme as culturas e religiões por exemplo. Existem coisas que são interpretadas de forma diferente conforme o sitio onde vivemos. O meio que nos envolve influencia em muito. Hoje em dia existe uma ligação maior entre as várias culturas, e vamos tentando compreender melhor o que se passa além de nós, o que nos abre mais os horizontes e a nossa forma de pensar. A mistura, ou seja procurar o melhor em cada cultura é o mais sensato. Creio que não exista nenhuma cultura ou país onde não hajam coisas erradas, e essas são as que devemos ignorar e absorver sim as coisas boas. Contudo devemos aprender com os erros, erros esses como a segunda guerra mundial onde milhares de pessoas sofreram em prol de nada. Para mim a guerra não tem sentido, algo que revela a pior faceta do ser humano. Existem tantas pessoas que sofrem com isso que faz doer a alma, e acho bem que isso tudo seja mostrado para o mundo. Amor gera amor, violência gera violência. Mas eu agora vou só falar um pouco sobre o que penso da paixão e do amor.


PAIXÃO





Vou começar por falar na paixão. Existem os chamados amores platónicos, mas eu acho que o nome está incorrecto e se deveria chamar paixões platónicas. A paixão é quando existe um desejo, quando algo nos atrai na outra pessoa, ou seja algo de fora no atrai, e nos cria um desejo, um sentimento arrebatador de querer "possuir" a outra pessoa ou objecto, de querer estar com a outra pessoa, de querer a atenção dessa pessoa. Por vezes isto se confunde ou se assemelha a amor, contudo na maioria das vezes não é. O que não invalida que uma paixão não gere posteriormente um sentimento de amor. 

Nem sempre conhecemos a outra pessoa, o fruto do nosso desejo, imaginamos na nossa mente como será. Ou seja começa por ser algo que por vezes nem sabemos bem o que é ao certo que nos atrai na outra pessoa, e faz com que depositemos mais atenção sobre a mesma.

Existe um desejo por aquilo que nos pode proporcionar prazer. "Na alegria da posse, o sofrimento do desejo é apaziguado por instantes." (Rougemont, 2001:152)

Por vezes a paixão é uma ilusão do amor. Mas por vezes a paixão surge em coisas mais simples, como até jogar futebol, o prazer de jogar, de vencer, de ir mais além. 

AMOR



Amor é algo vasto, e pode ser visto em várias perspectivas  como por exemplo, sentimental, sexual e espiritual.
Amor é algo superior ao desejo. Para haver amor não é necessário haver desejo carnal. É algo que parte de nós, cresce em nós, e depois pode ser partilhado com outras pessoas. Uma energia criativa que nos ilumina, que nos unifica e nos torna melhores pessoas. 

Não é fácil amarmos no estado puro, pois muitas vezes vivemos também o desejo, e isso acaba por ser algo que até acho normal.E esse desejo e dor que daí pode advir por vezes é fonte inspiradora para os artistas, como poetas por exemplo. 

É um sentimento altruísta  o dar algo sem procurar ter nada em troca; coisa que por vezes custamos a fazer, pois às vezes mesmo inconscientemente procuramos algo em troca pelo que oferecemos, nem que seja somente uma valorização disso, ou melhor um reconhecimento.
"Para amar é preciso ser distinto do próprio objecto do amor, ao qual se pretenderia estar unido." (Rougemont, 2001:12)
Dizem que o amor faz sofrer, mas não, o desejo é que depois provoca a dor, o sofrimento. O querermos algo e não conseguirmos ter isso que queremos. O fosso entre o que é  o que deveria ser. 

Apesar disso não estou dizendo que quem ama de verdade nunca sofre, não é isso. Tudo depende. É óbvio que se sofre. Um exemplo simples; se amamos uma pessoa e ela fica doente, ou ela está a sofrer, ou pior ela morre, é óbvio que sofremos. Pelo menos eu vejo assim. Se não sentíssemos nada, não sentíssemos uma perda, uma dor no peito por aquela pessoa sofrer, era sinal que éramos insensíveis, que não nos importávamos com o que a outra pessoa vive. Agora outro exemplo: dizer que amamos alguém e sofrer porque a outra pessoa não nos ama, ou porque ela começou a gostar de outra pessoa, é outra coisa. Nós devíamos ficar felizes pela felicidade de quem amamos, mesmo que seja longe de nós. Não é fácil  mas é o amor. Obsessão, pressão são coisas que têm haver com o desejo, com o nosso ego. Falo isto mas tenho consciência que nem sempre sou a melhor pessoa. Mas enfim...falar disto e ter consciência disso penso que irá fazer que melhore, pelo menos é isso que quero.

Quem ama não mente para proteger o outro. Dizer que ama e depois ter uma vida completamente diferente daquela que se mostra à outra pessoa, é porque se sente medo. E medo nada tem haver com amor.
A religião influencia muito a nossa visão do amor. Enquanto na religião ortodoxa e cristã separam o sexo do divino, no oriente com o tantra, hatha yoga existe uma ligação entre o sexo e o divino. Contudo o Cristianismo Deus é amor, mas continua a renegar o instinto animal, o sexual. Eu acho é que podíamos aliar isto tudo e formar algo mais natural, mais livre. Porque condenar algo é no fundo recalcar, e isso depois cria distúrbios mais tarde ou mais cedo. 

 PAIXÃO & AMOR

Numa relação de homem mulher, para mim, penso que seja normal haver paixão e amor. E isso tem que ser encarado de forma natural e com q.b. para que não se transforme noutras coisas negativas. Porque nós temos dois pólos  como os orientais dizem, o yin e yang que estão presentes em praticamente tudo, mesmo nos alimentos. E deve sempre haver o equilíbrio das coisas, nem tanto à terra nem tanto ao mar como o povo costuma dizer.  

Falo muito entre homem mulher. talvez eu esteja um pouco a descriminar dos homossexuais. mas a verdade é que desconheço um pouco esse mundo, não tenho nenhum amigo homo, e como não sou. 


 Bem, isto é um poucochinho do que leio e do que sei, da minha visão. Outro dia logo escrevo mais coisas sobre estes temas que me fascinam. 




Bibliobrafia:

 -  Rougemont, Denis (2001), Os Mitos do Amor, Livros Horizonte, 1º edição, Lisboa







sábado, 9 de março de 2013

À espera de um grande amor



"As pessoas são muito mesquinhas. Elas estão esperando por algum grande amante aparecer, então elas amarão. Elas permanecem fechadas, recuadas. Elas apenas esperam. De algum lugar uma Cleópatra virá e então eles irão abrir seus coração, mas nessa hora já esqueceram completamente como abri-lo." (Osho)

Estava eu a ler Osho, e vi isto, e (infelizmente) identifiquei-me. Parece que ando a ficar amarga, por ser mal amada. Tenho dias em que me custa, é em casa, é no trabalho, e depois parece que não tenho muita fuga. A chamada bola de neve, sinto-me mal, mal amada, com baixa auto estima, e depois em vez de atrair, afasto as pessoas com o meu mau feitio temporário. Sim! o mau feitio felizmente é temporário. A prova (sim! parece que preciso de provas!) é alguns clientes que sinto que gostam mesmo de mim. Uma até me quis abraçar e disse para eu lhe escrever (Fiquei mesmo emocionada com aquilo). Outra também me desejou tudo de bom, e me fez um casquecol. Já cheguei a receber recordações da Holanda também, assim como umas deliciosas bolachas que agora encontrei no Lidl e na Apolónia. Existem coisas que ficam na memória. É óbvio que também tenho clientes que são arrogantes ou que simplesmente não gostam de mim. Mas estes clientes de Inverno por vezes nos recompensam porque estão aqui muito tempo e, acabamos por conviver. Muitas pessoas são pessoas que ficam contentes com pouco, basta um sorriso ou uma tentativa de ajudar. Mas como tudo na vida, uns são uns mal agradecidos. Às vezes confesso que ainda tento educar as pessoas, mas nem sempre é possível. Acho que o problema é que as pessoas não se colocam no outro lugar. Eu quando estou no lugar de cliente não gosto de ser arrogante, e sei que se for simpática ao pedir algo só tenho a ganhar. Mas é óbvio que também já me aconteceu não ser muito bem atendida, e por caricato que pareça foi em Fátima. Enfim...

Confesso que por vezes sinto inveja daquelas mulheres que lhe aparecem homens apaixonados, homens capazes de tudo para mostrar o que sentem por elas. Quando elas merecem até vá lá, mas tem algumas que não merecem e ainda pisam os homens, mas eles cegos pela paixão continuam a adorar aquela mulher. Prontos! é verdade que certas mulheres também dão valor a homens sem valor. Às vezes a questão não é dar valor a uma pessoa que não tenha valor, mas sim! essa pessoa pode ter valor, mas não dar valor à pessoa apaixonada e ainda "brincar" com os sentimentos dessa pessoa. Certas injustiças fazem me aflição à alma, se bem que há coisas que eu não tenho nada haver com isso. Mas existem outras coisas onde me sinto atingida. Porque mau mau é quando uma mulher é ruim para outra mulher. Penso que os homens em geral são mais companheiros, mais amigos, mais sinceros. E nós, mulheres, pelo contrário, como mais falsas, mais cínicas. Um exemplo:
Homem a falar na frente - Olha o boiola.  . Nas costas - É um gajo porreiro
Mulher a falar na frente - Olá querida, estás tão gira . Nas costas - Ela é tão chata e dizem que não faz nada em casa, nem sei como o marido a atura. 

Mas também confesso que procuro que alguém me valorize. Talvez por não ter muitas pessoas que me valorizem. Sinto, e infelizmente sei que para algumas pessoas só sou boa para ser usada. Mas também sei que existem pessoas sem interesses, mas enfim...Não sei se sou eu, mas acho que não, mas muitos pais apoiam os filhos mesmo que estes não tenham razão, e no meu caso às vezes mesmo que faça as coisas bem, nunca estou bem. Ai ai. Mas tenho que mudar. Acho que era mais fácil mudar se eu saísse de casa dos meus pais, mas depois sinto uma pressão imensa em cima de mim. E sei que a minha mãe vai sentir muito a minha falta. É que eu já tinha tentado isso. Nem sempre as coisas são simples. Eu também não foi estudar para fora daqui também por isso, talvez o problema seja meu, mas o certo é que de um ano para cá o meu pai deu a entender que era para eu não sair de casa. No fundo ele tem medo que eu saia, e depois leve a minha mãe comigo. É com cada maluquice que eu sinto mesmo que sou maluca também. Tenho uma amiga que diz que toda a família tem pessoas malucas, logo o que por vezes parece muito bonito nem sempre o é.

Também confesso que sabia me tão bem receber umas flores (e para quem não gosta de flores que murcham logo, pode ser flor num vaso) por exemplo. Sim! algo tão simples e nunca recebi de um homem. Sei bem que acções são mais importantes, mas que sabe bem receber um agrado, uma prendinha. E quando é uma surpresa melhor. Mesmo que nós estejamos à espera de algo, acho que devemos receber, pois não deixa de ser surpresa o que será. Ah! e eu acho que sim! os homens também merecem receber prendas. Claro que flores não! hehehehe

Pintura de Malcolm Liepke

sexta-feira, 8 de março de 2013

Poema: Fechada numa lata de conserva


Estou farta de ser quem não sou,
Farta de sentir o que não quero sentir,
De gostar de quem não gosta de mim,
De procurar respostas onde não há.

Estou farta de me sentir culpada,
Farta de me sentir um nada,
De não sentir o teu abraço,
De procurar desculpas em vão.

Estou farta, tão farta,
Que ás vezes sinto vontade de chorar.

Estou farta de ouvir raspanetes,
Farta que se esqueçam de mim,
De confiar em quem não merece,
Enfim que sintam pena de mim.

Estou farta de me sentir desvalorizada,
Farta de me sentir acorrentada,
De por vezes perder a fala,
E não saber bem o que quero.

Estou farta, tão farta,
Que me sinto como uma sardinha
Fechada numa lata de conserva.

(Escrito a Abril de 2009)


Pintura de Brad Kunkle


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