Hoje vou falar sobre basicamente sobre dois temas,
paixão e amor. Palavras diferentes, definições diferentes, contudo existe por
vezes uma relação entre estas duas abordagens. Fazem parte das nossas
relações pessoas e interpessoais, assim como de certa forma, comandam a forma
como seremos ou não felizes, e define ou não o nosso sentido da vida. O que vou
dizer é apenas uma pequena parte de tanta coisa que existe para dizer, porque
no fundo estes temas são muito abrangentes, e podem ser vistos também à luz dos
anos que se passam, e conforme as culturas e religiões por exemplo. Existem
coisas que são interpretadas de forma diferente conforme o sitio onde vivemos.
O meio que nos envolve influencia em muito. Hoje em dia existe uma ligação
maior entre as várias culturas, e vamos tentando compreender melhor o que se
passa além de nós, o que nos abre mais os horizontes e a nossa forma de pensar.
A mistura, ou seja procurar o melhor em cada cultura é o mais sensato. Creio
que não exista nenhuma cultura ou país onde não hajam coisas erradas, e essas
são as que devemos ignorar e absorver sim as coisas boas. Contudo devemos
aprender com os erros, erros esses como a segunda guerra mundial onde milhares
de pessoas sofreram em prol de nada. Para mim a guerra não tem sentido, algo
que revela a pior faceta do ser humano. Existem tantas pessoas que sofrem com
isso que faz doer a alma, e acho bem que isso tudo seja mostrado para o mundo.
Amor gera amor, violência gera violência. Mas eu agora vou só falar um pouco
sobre o que penso da paixão e do amor.
Vou começar por falar na paixão. Existem os chamados amores
platónicos, mas eu acho que o nome está incorrecto e se deveria chamar paixões
platónicas. A paixão é quando existe um desejo, quando algo nos atrai na outra
pessoa, ou seja algo de fora no atrai, e nos cria um desejo, um sentimento
arrebatador de querer "possuir" a outra pessoa ou objecto, de querer
estar com a outra pessoa, de querer a atenção dessa pessoa. Por vezes isto
se confunde ou se assemelha a amor, contudo na maioria das vezes não
é. O que não invalida que uma paixão não gere posteriormente um sentimento de
amor.
Nem sempre conhecemos a outra pessoa, o fruto do nosso
desejo, imaginamos na nossa mente como será. Ou seja começa por ser algo que
por vezes nem sabemos bem o que é ao certo que nos atrai na outra pessoa, e faz
com que depositemos mais atenção sobre a mesma.
Existe um desejo por aquilo que nos pode proporcionar
prazer. "Na alegria da posse, o sofrimento do desejo é apaziguado por
instantes." (Rougemont, 2001:152)
Por vezes a paixão é uma ilusão do amor. Mas por vezes a
paixão surge em coisas mais simples, como até jogar futebol, o prazer de jogar,
de vencer, de ir mais além.
AMOR
Amor é algo vasto, e pode ser visto em várias perspectivas
como por exemplo, sentimental, sexual e espiritual.
Amor é algo superior ao desejo. Para haver amor não é
necessário haver desejo carnal. É algo que parte de nós, cresce em nós, e
depois pode ser partilhado com outras pessoas. Uma energia criativa que nos
ilumina, que nos unifica e nos torna melhores pessoas.
Não é fácil amarmos no estado puro, pois muitas vezes
vivemos também o desejo, e isso acaba por ser algo que até acho normal.E esse
desejo e dor que daí pode advir por vezes é fonte inspiradora para os artistas,
como poetas por exemplo.
É um sentimento altruísta o dar algo sem
procurar ter nada em troca; coisa que por vezes custamos a fazer, pois às vezes
mesmo inconscientemente procuramos algo em troca pelo que oferecemos, nem que
seja somente uma valorização disso, ou melhor um reconhecimento.
"Para amar é preciso ser distinto do próprio objecto
do amor, ao qual se pretenderia estar unido." (Rougemont, 2001:12)
Dizem que o amor faz sofrer, mas não, o desejo é que depois
provoca a dor, o sofrimento. O querermos algo e não conseguirmos ter isso que
queremos. O fosso entre o que é o que deveria ser.
Apesar disso não estou dizendo que quem ama de verdade
nunca sofre, não é isso. Tudo depende. É óbvio que se sofre. Um
exemplo simples; se amamos uma pessoa e ela fica doente, ou ela está a sofrer,
ou pior ela morre, é óbvio que sofremos. Pelo menos eu vejo assim. Se
não sentíssemos nada, não sentíssemos uma perda, uma dor no
peito por aquela pessoa sofrer, era sinal que éramos insensíveis, que
não nos importávamos com o que a outra pessoa vive. Agora outro
exemplo: dizer que amamos alguém e sofrer porque a outra pessoa não nos ama, ou
porque ela começou a gostar de outra pessoa, é outra coisa.
Nós devíamos ficar felizes pela felicidade de quem amamos, mesmo que
seja longe de nós. Não é fácil mas é o
amor. Obsessão, pressão são coisas que têm haver com o desejo,
com o nosso ego. Falo isto mas tenho consciência que nem sempre sou a
melhor pessoa. Mas enfim...falar disto e ter consciência disso penso
que irá fazer que melhore, pelo menos é isso que quero.
Quem ama não mente para proteger o outro. Dizer que ama e
depois ter uma vida completamente diferente daquela que se mostra à outra
pessoa, é porque se sente medo. E medo nada tem haver com amor.
A religião influencia muito a nossa visão do amor. Enquanto
na religião ortodoxa e cristã separam o sexo do divino, no oriente com o
tantra, hatha yoga existe uma ligação entre o sexo e o divino. Contudo o
Cristianismo Deus é amor, mas continua a renegar o instinto animal, o sexual.
Eu acho é que podíamos aliar isto tudo e formar algo mais natural,
mais livre. Porque condenar algo é no fundo recalcar, e isso depois
cria distúrbios mais tarde ou mais cedo.
PAIXÃO & AMOR
Numa relação de homem mulher, para mim, penso
que seja normal haver paixão e amor. E isso tem que
ser encarado de forma natural e com q.b. para que não se
transforme noutras coisas negativas. Porque nós temos
dois pólos como os orientais dizem, o yin e yang
que estão presentes em praticamente tudo, mesmo nos alimentos. E
deve sempre haver o equilíbrio das coisas, nem tanto à terra nem
tanto ao mar como o povo costuma dizer.
Falo muito entre homem mulher. talvez eu esteja um pouco a
descriminar dos homossexuais. mas a verdade é que desconheço um pouco esse
mundo, não tenho nenhum amigo homo, e como não sou.
Bem, isto é um poucochinho do que leio e do
que sei, da minha visão. Outro dia logo escrevo mais coisas sobre estes temas
que me fascinam.
Bibliobrafia:
- Rougemont, Denis (2001), Os Mitos do Amor,
Livros Horizonte, 1º edição, Lisboa