IV
No metro de volta a casa, não parava de pensar em tudo o que
lhe tinha acontecido. Questionava-se se tudo aquilo não tinha sido apenas um
sonho, e como tinha tido sorte em se escapar das represálias da governanta. Um
sorriso teimava em aparecer nos seus lábios.
Como sempre o metro estava cheio de pessoas, e ela estava de
pé perto da porta, chegando a Chelas, sai e caminha com destino à sua casa. Na
realidade era somente um quarto que ela tinha alugado, sendo que a cozinha e
casa de banho eram partilhados com mais duas raparigas, Joana e Carla. Após uns
15 minutos a andar coloca a mão na sua mala castanha, da mesma cor que as suas
sapatilhas, e tira a chave para entrar no prédio. Entra no apartamento e vai
para o seu quarto, onde coloca a mala no cabide perto da porta, e se joga na
cama de barriga para cima. Não conseguia parar de pensar nele, na intensidade
com que tudo tinha acontecido, naqueles olhos que a faziam vibrar por dentro.
O coração dela ainda estava eufórico, e os poros dela ainda
transpiravam desejo.
Levanta-se e vai buscar algo para comer à cozinha, mas
antes, tira o telemóvel da mala, e para sua alegria, estava duas mensagens e
uma chamada não atendida de um número desconhecido. Só podia ser dele.
Começa a
ler:
“Adorei cada segundo que estivemos juntos, és maravilhosa.
Não vejo a hora de estar outra vez contigo. Quero entrar dentro de ti. Jorge”
Ela ficou meio corada, mas ria. Era uma mistura de sensações
e sentimentos a nascer dentro dela, ao mesmo tempo que a parte mais íntima se
contraia com sofreguidão.
A segunda mensagem dizia: "Estás bem?"
Ela estava a pensar em como ele era tão carinhoso e ao mesmo
tempo muito atrevido, e que gostava muito disso. Também não via o momento em
estar outra vez com ele, era tudo tão bom demais para ser verdade, mas era
verdade, e o corpo dela ainda sentia as doces vibrações de prazer.
Nisto ele liga para ela, outra vez, e ela atende.
- Estou
- Sofia ainda bem que atendes, já estava preocupado. Está
tudo bem contigo?
- Sim…não precisas de ficar preocupado
- É natural que me preocupe contigo, és importante para mim.
Olha, quero-te convidar para jantar, e não aceito um não. Aceitas?
- Pois…como não tenho opção de escolha a resposta é sim! –
Rindo-se
- Diz-me onde moras que eu vou aí ter. – Num tom sereno,
mas que parecia divertido.
Ela explicou tudo, e depois se despediram. Ela por momentos
ficou ali parada a sorrir sozinha, mas depois pensou…o que vou vestir. Lá vasculhou o guarda fato e encontrou um
vestido, era simples, deve servir.
Pegou numa lingerie preta arrendada, da mesma cor que o
vestido e pensou que era ideal. Fez uma trança para o lado direito para a
frente, com uns brincos e pulseira prateado, e pegou numa pequena mala preta.
Ela queria ser simples, mas ao mesmo tempo o surpreender. Colocou sombras nos
olhos, rímel nas pestanas, e batom rosa nos lábios, e quando estava ao espelho
a ver se estava tudo em ordem, toca o telemóvel. Era ele. Ficou tão
entusiasmada, borboletas pareciam voar dentro de si, dançado ao som de uma
música suave e ao mesmo tempo cheia de paixão. Calçou umas sabrinas pretas, com
uns brilhantes na frente, e lá foi ela ter com o homem que mal conhecera, mas
parecia já fazia parte da sua vida há muito tempo.
Quando ela chegou lá em baixo, ele já estava perto da porta
do prédio. Ele olhou para ela, muito satisfeito, com um leve sorriso radiante.
Ela olhou para ele e achou ainda mais lindo. Ele estava com uma camisa branca
de linho, umas calças de ganga azuis, e umas sapatinhas brancas. O cabelo tinha
um ligeiro ondular selvagem. Ela só lhe apetecia agarrar naquele cabelo e
beijá-lo como louca, mas controlava-se. Ficaram segundos olhando um para o
outro, e depois ele veio dar um beijo nela, e disse-lhe:
- Simples, mas linda. Mas acho que ficavas melhor com saltos
altos – rindo-se
- Estás a gozar comigo! – Ela intrigada
- Não, estou-me a meter contigo, para ver como reagias – com
um sorriso escancarado.
Ela só pensava como ele ficava tão lindo a rir assim daquela
maneira, parecia que estar a andar sobre nuvens, tão maravilhoso que era aquela
sensação, que as borboletas saíram de dentro de si, e voaram pela atmosfera
acima.
- Vem comigo, vamos para um restaurante italiano. Gostas?
- Sim! Mas e se não gostasse?
- Íamos para outro. Mas eu já sabia que ias gostar.
Chegaram perto do carro dele, ela ficou com os olhos abertos
e só não abriu a boca para manter a postura. Era um carro lindo, como o dono,
pensava ela. Era um mercedes SL, Class Roadster, com pintura metalizada
castanho dolomite. Mal entram no carro, sendo que ele lhe abriu a porta para
ela se sentar, como bom cavalheiro, ele pergunta a ela:
- Amanhã trabalhas?
Ela toda feliz lhe responde – Não!
- Perfeito –Com um sorriso malandro, mas sério.
- Tens planos?
- E tu não tens? – Sorrindo para ela
Foram conversando com o rádio ligado, e quando apareceu uma
música de Bruno Mars, locked out of heaven, ela lhe diz que gosta mesmo da
música, ao que ele lhe responde:
- Já imaginava que gostasses. É isso que me fazes sentir,
como se estivesse no paraíso, contigo.
Ela muito atrevida colocou a mão dela perto do joelho dele,
e foi subindo lentamente, olhando em frente. Ela de vez em quando olhava de
lado para ela, e sorria.
- Se continuas assim, vou ter que parar antes de irmos
comer.
- Sabes que estou cheia de fome.
- Eu sei qual é a tua fome, e tenho o remédio para isso.
- Comida italiana! - disse ela muito alegre
- És muito engraçada Sofia – Pegou na mão dela e põe em cima
da sua erecção – Vês é assim que me deixas.
Ela estava muito excitada, e o sangue subia-lhe para a
cabeça, não a deixando pensar, e concentrava-se abaixo do ventre, onde se
contraia deliciosamente.
Ele estava louco por ela, mas ao mesmo tempo que estava
ansioso por a ter, também estava bastante calmo e sereno, pois sabia que ela
era especial.
















