Escrever nem sempre ajuda, mas alivia a alma, e ao partilharmos algo é como se o nosso espírito se elevasse. Talvez esteja a exagerar, mas o que sei é que quando as coisas parecem estar-se a alinhavar, de repente aparece algo que estraga tudo. Era bem bom que as coisas más só acontecessem às pessoas más, contudo dá-me ares que são as pessoas com bom coração as mais castigadas. Eu como ainda tenho um veneno no coração lá me vou escapando, mas acabo por sofrer por quem me é mais próximo.
Sabiam que odeio mentiras?!, pois acho que quase toda a gente é capaz de dizer isto. Mas no fundo todos nós mentimos. Só que existem mentiras e mentiras. Eu quando digo toda a verdade a uma pessoa, espero que essa pessoa faça o mesmo comigo. Pior é quando isso não acontece, e quando a mentira surge e me faz sofrer. Será que posso confiar em alguém que em determinado momento achou que não devia confiar em mim? Será que posso confiar em alguém que se a mamá pedir para ficar calado ele fica? Sempre pensei que quem ama de verdade tudo conta, e tem que ser consciente dos seus actos, pois uma vida a dois não é o mesmo que uma vida a um. Acho que nunca podemos comparar o amor de pais, com o amor de homem-mulher. Só um idiota poderá pensar que amor é tudo igual, e que no amor tudo se perdoa. Ou sou eu a idiota?
Nem sei se a relação que tenho, a tenho porque sinto medo de ficar sozinha, ou pela pressão que sinto. Sinto que fiz sacrifícios, como se tivesse sofrido em vão. Mas sinto como se não valorizassem o que tenho aguentado, de facto até são capazes de me jogar na cara que só sei fazer as pessoas nervosas, que não tenho ajudado. Não sei o que pensar. Sempre quis o mesmo, um homem que fosse meu amigo, amante e pais dos nossos filhos. Mas será assim tão difícil? Será que fiz um erro em perder o meu tempo com quem não quer perder o tempo comigo?
Eu nem sempre tive uma veia artística, de facto tenho muitos dias que fico a pensar que essa veia não existe mais. Mas lá vou escrevendo. Já foi o tempo em que desenhava, pintava, e escrevia poesia. Talvez fosse mais fácil quando vivia de amores platónicos, ou então o amor que sinto não é grande coisa. Mas sempre, mal ou bem, me vou expressando, mas tem pessoas que não sabem dizer o que sentem, calam, calam. E eu não compreendo isso. Como é possível viver, sem deitar para fora (sobre forma de palavras orais ou escritas, desenho ou pintura) o que sentimos? Para mim é super fácil escrever isto, escrevo o que penso. Mas porquê que tem pessoas que não conseguem?