Achas que o importante é isso?!
Se é o céu ou o Diabo,
Achas que isso é obscuro demais para os teus
Aguçados neurónios chafurdarem nisso.
Se só assim podes viver
Se só assim podes saber
Se foste tu, ou a criação
Que originou as estrelas, o casulo
Em que vives, a religião,
Sopros de vento, de gente e, de dor,
Então força!
Começa a tirar esse ar de vilão e, pensa.
Se sabes judiar ou dar pulos,
O que importa?!
Se tens mania no crânio,
Ou se és implacável ou mesmo maçador
Podes crer que isso só se cura
Com uma terapia pura.
Ou será antes um valente castigo.
De certeza que irias ficar tramado com isto!
Mas se não tens fé isso tem remédio,
Ou melhor até nem tem,
Só que em ti irá crescer as trevas,
A partir do húmus dos teus pecados
E da tua má combinação.
Mas se não queres isso para ti,
Então que queres?!
Se é Deus ou o Diabo,
Se é a freira ou o suicídio,
Arma-te em isco,
Não te deixes pescar
E vê qual o caminho a pisar.
Tu sabes criar, inventar,
Mas não inventes tanto ao ponto
De dizer que foste tu o Criador.
Não te armes em sonso,
E tira esse alfinete da cadeira do lado,
Arruma essa memória amontoada,
E vê bem por que te sentes preocupado,
Donde te veio esses dedinhos.
Mas se tens fé,
Então acreditas em algo,
Não precisas de limpar tanto as teias
Que no cérebro se entalam,
Apenas não sabes porquê?
Porquê que não é assim e, assim é,
Ou se é Deus ou não que crio-te
A ti e ao Universo.
Tens que deixar o medo,
E não te deixares vencer por esse sentimento
Que te abala a alma,
Entala-a num só nó.
Se é tu ou o planeta,
Se é Deus o inspirador
Que uniu o sangue à carne,
O corpo à vergonha.
Isso talvez nunca se saiba.
Mas quem sonha
Não vê se foi Deus o pintor
Que pôs o silêncio no nosso interior.
Por isso não te rales,
Não canses a paciência,
E deixa Deus com o céu,
E o céu limpo e puro sem dares importância
E tanta balbúrdia.
(Escrito em 1999 ou 2000)













