terça-feira, 19 de outubro de 2010

Poema: O cântico do silêncio, de Dina Ventura

Na calmaria do lago
Ouço o som do silêncio
Alcança-me, embala-me
E abraça-me.
Entrego-me a ele
E ouço-o sussurrar
Pois é no silêncio
Que a alma encontra
O verbo falar.
E sem pressas ou obrigações
Coloco os sentidos a funcionar
Misturam-se num som único
Enquanto os ouço cantar:
Vida
És o que muitos não sabem
Querem mas não dão
Fechando-se no que recebem
Enquanto estendem a mão
Vida
Um reflexo apenas
De uma luz perdida
Que é preciso encontrar.
E na sua simplicidade
O silêncio que a encontrou
Continua a cantar.

Escrito por Dina Ventura
http://www.facebook.com/?sk=messages&tid=1532097594200#!/profile.php?id=1741677416




Óleo sobre tela de Dina Ventura

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Poema: O meu momento de prazer

Começa com um pensamento
Enclausurado na minha memória,
Brotando,
Transportando.
Começa com uma vontade
De fundir meu corpo no teu,
Movimentado,
Deslocando.
Desloco as mãos no meu corpo,
Quente, excitado.
Meus dedos deslizam,
Meu corpo se contrai de prazer.
Começa contigo no meu pensamento,
O cavaleiro que me vai libertar,
Aquecendo,
Emudecendo.
Começa com uma vontade de ser tua,
De te encher de amor,
Suspirando,
Passeando.
Passeio os dedos pelos lábios,
Molhados, inchados.
Meus dedos circulam,
E o ponto de prazer fica elevado.
Começa com um pensamento,
Entrelinha-se o prazer,
Explosões de energia,
E termina contigo sempre no meu pensamento.


terça-feira, 12 de outubro de 2010

Poema: Que Será?

Que será isto que estou sentido?
Será o meu enlouquecer a surgir?
Eu já nada sei, apenas vou vestindo
Os fatos de sentimento ocultos sem sair
Sem poder sorrir pelas ruas vistosas.
Não consigo entender o que pressinto,
Tento, mas é em vão, são plenas palavras
Gastas e com desgosto que tenho dito.
Tenho afirmado que nada sou sem amor,
Que tolice! Amor, nem sei se o sinto,
E vou esperando sem nada ter feito,
Sento-me a olhar o passado,
Nem penso no futuro; para quê?
Se nem sei o que sinto no corpo,
Se arde de saudade, de solidão
Ou apenas de tão vazio o coração.
Peço, suplico que me digam algo,
Uma expressão amigável sem rancor
Para que eu possa ao mesmo sorrir
E assim poderia ser que fosse maior
O lugar de haver ar para poder vir
A abrir o coração e entrasse amor.
Larga imaginação que tenho!
Breve fantasia do desconhecido.
tanta palestra sem nada dizer
O que sinto em meu corpo.
Doí-me a mente de tanta aflição
Se razão de algum valor.
Mas não hei-de de desistir, hei-de saber
O que pressinto e aí finalmente poderei ver
E entender melhor o que sou sem fatos
Planeados dum viver escondido
Entre as sombras da dor.

[Escrito em 1997]


Poema: Somos ou não somos?!

É difícil sermos nós mesmos
Quando não sabemos o que somos.
Um dia somos calados,
No outro enervados
E, quando fechamos os olhos,
Pomos a fantasia como verdade.
No dia seguinte somos faladores,
Gralhas do vento,
Trevas por dentro.
Somos tão lindos,
Como tão ridículos iremos parecer.
Mas ser...não.
Somos apunhalados,
Por nosso sentimento fuzilados
E, sorrindo ao choro
Trepamos para outro mundo.
Somos o que tentamos ser,
Olhamos o que não vemos,
O que tanto queríamos ter.
Gelo no coração,
Pesadelo como lição.
Não somos o que na verdade somos,
Com medo de perdermos,
De perecermos loucos.
Mas loucos são os que escondem
E calam o que sentem e são.
Somos ou não somos?
O que os outros não são,
O que os outros bem dizem,
Mas desmentem de mão em tostão.
Temos compaixão,
Teremos nós mágoas
De não sermos o que somos,
De termos mais do que precisamos.
Somos amigos,
Infiéis e ferozes, até que baste,
Até que baste como uma aste.
É difícil...
Sermos, abrimo-nos,
Mostrar a nossa nudez,
O nosso espirito mesmo em dias de nevoeiro.
Somos ou não somos?
O que iremos ser é que nos vale,
E o que sentimos nos salvará,
Se formos...
Se sermos...
Uma lição a ter em cada dia.

[Escrito em 2000]

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Surfar no teu corpo

Dás-me tesão
Meu tigre selvagem,
Quando me beijas com paixão
Fico insaciável.
Acedes-me a chama,
Fico toda molhada,
Quando vejo a tua prancha
O desejo me consome a alma.
Quero-te devorar,
Beijar a ponta do sol,
Surfar no teu corpo ao luar,
Sem folgo sem dó.
Quero-te dar,
Quero-te amar,
Assim como quero mergulhar
No teu imenso mar de amor.
Descontrolada começo a voar,
Porque tu para mim
És tudo o que eu sempre quis.


domingo, 10 de outubro de 2010

Poesia - parte de mim

A certa altura pensei que tinha que mudar a minha forma de escrita. Então em vez de escrever linhas do que a minha alma sentia, passei a escrever o que queria que acontecesse, sonhos de uma mente prestes a explodir de tanto querer viver. Pensei então que ao lerem o que escrevia pensassem que era verdade, e aí meu sonho se realizaria. Em vez da gasta poesia, em que me lamentava de não ter ninguém, teria uma nova poesia cheia de aventura e paixão, cheia de amor. E foi assim que descobri uma nova faceta em mim, foi assim que surgiram poemas como “dás-me tesão meu tigre selvagem, quando me beijas com paixão fico insaciável, ….Quero-te devorar, beijar a ponta do sol, e surfar no teu corpo até ao luar…descontrolada começo a voar, porque tu para mim és tudo o que eu sempre quis”.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Elogio ao Amor, Escrito por Miguel Cardoso

"Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo.

O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.

Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.

Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?

O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar.

O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.

O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."

Escrito por Miguel Esteves Cardoso



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