terça-feira, 12 de outubro de 2010

Poema: Somos ou não somos?!

É difícil sermos nós mesmos
Quando não sabemos o que somos.
Um dia somos calados,
No outro enervados
E, quando fechamos os olhos,
Pomos a fantasia como verdade.
No dia seguinte somos faladores,
Gralhas do vento,
Trevas por dentro.
Somos tão lindos,
Como tão ridículos iremos parecer.
Mas ser...não.
Somos apunhalados,
Por nosso sentimento fuzilados
E, sorrindo ao choro
Trepamos para outro mundo.
Somos o que tentamos ser,
Olhamos o que não vemos,
O que tanto queríamos ter.
Gelo no coração,
Pesadelo como lição.
Não somos o que na verdade somos,
Com medo de perdermos,
De perecermos loucos.
Mas loucos são os que escondem
E calam o que sentem e são.
Somos ou não somos?
O que os outros não são,
O que os outros bem dizem,
Mas desmentem de mão em tostão.
Temos compaixão,
Teremos nós mágoas
De não sermos o que somos,
De termos mais do que precisamos.
Somos amigos,
Infiéis e ferozes, até que baste,
Até que baste como uma aste.
É difícil...
Sermos, abrimo-nos,
Mostrar a nossa nudez,
O nosso espirito mesmo em dias de nevoeiro.
Somos ou não somos?
O que iremos ser é que nos vale,
E o que sentimos nos salvará,
Se formos...
Se sermos...
Uma lição a ter em cada dia.

[Escrito em 2000]

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Surfar no teu corpo

Dás-me tesão
Meu tigre selvagem,
Quando me beijas com paixão
Fico insaciável.
Acedes-me a chama,
Fico toda molhada,
Quando vejo a tua prancha
O desejo me consome a alma.
Quero-te devorar,
Beijar a ponta do sol,
Surfar no teu corpo ao luar,
Sem folgo sem dó.
Quero-te dar,
Quero-te amar,
Assim como quero mergulhar
No teu imenso mar de amor.
Descontrolada começo a voar,
Porque tu para mim
És tudo o que eu sempre quis.


domingo, 10 de outubro de 2010

Poesia - parte de mim

A certa altura pensei que tinha que mudar a minha forma de escrita. Então em vez de escrever linhas do que a minha alma sentia, passei a escrever o que queria que acontecesse, sonhos de uma mente prestes a explodir de tanto querer viver. Pensei então que ao lerem o que escrevia pensassem que era verdade, e aí meu sonho se realizaria. Em vez da gasta poesia, em que me lamentava de não ter ninguém, teria uma nova poesia cheia de aventura e paixão, cheia de amor. E foi assim que descobri uma nova faceta em mim, foi assim que surgiram poemas como “dás-me tesão meu tigre selvagem, quando me beijas com paixão fico insaciável, ….Quero-te devorar, beijar a ponta do sol, e surfar no teu corpo até ao luar…descontrolada começo a voar, porque tu para mim és tudo o que eu sempre quis”.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Elogio ao Amor, Escrito por Miguel Cardoso

"Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo.

O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.

Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.

Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?

O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar.

O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.

O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."

Escrito por Miguel Esteves Cardoso



terça-feira, 5 de outubro de 2010

Tudo tem um fim...

Uma vez falei aqui de uma cadela que tinha que estava doente. Pois é! Ela á dois dias que se foi para sempre. Também penso, devia sofrer, melhor assim. Era uma galga, e nos últimos tempos andava bastante mal, enfim…Ficaram os dois cães, rafeiros. Um dele é adoptado, ou seja foi abandonado perto da nossa casa, e depois com o tempo e a fome é que ele se foi aproximando de nós. E ficamos com ele. Também os gatos que temos, foram tudo fruto de abandono, de aparecerem aqui, porque não éramos para os ter. Eu pessoalmente gosto mais de cães.

E prontos! a minha vida vai indo. Pelos vistos vou ficar sem o meu rendimento de recibo verde, pois a empresa corre risco de terminar. Tenho que arranjar emprego, mas estou sem pressa para ser sincera. Recebi uma proposta do centro de emprego, mas é para ganhar uma miséria. Ou seja ganho mais no supermercado, do que trabalhar na minha área pelos vistos. Mas ainda não consegui que me atendessem. Mesmo não ganhando nada, dizem que se não responder retiram-me a inscrição.

Cada vez mais sei que na vida certos pormenores não interessam, e certas coisas não passam de aparências, ou seja mariquices. Dinheiro é um bem material, mas se vermos bem, também passamos bem com menos. A saúde sim é muito importante, e é isso que desejo para todos de bom coração. Vejo que certas relações terminam com coisas tão pequenas, que parecem insignificantes. Mas enfim…certas pessoas certamente não sabem bem o que perdem.
Às vezes penso bastava-me uma roulote ou caravana para viver com meu amor. Ai! Que romântica. =)

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Que saudades amor

Tenho tantas saudades amor,
Do teu olhar no meu,
Das tuas doces palavras,
Das tuas mãos nas minhas.

Saudades dos nossos momentos,
De cada instante,
De cada toque,
De ti amor que te adoro.


Uma vontade...

O que sinto eu?
A pulsação cada vez mais forte,
Um calor que me consome,
E o pensamento a ficar sem norte.

Que sinto eu?
Uma vontade…
Vontade de te ter nos meus braços,
Teus lábios nos meus,
E seguir os teus passos.

Oh! Meu amor
Como te adoro,
E por tanto te adorar
Esta vontade me devora.

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São as letras que dão azo a que hajam palavras, progressivamente frases com algum ou sem nenhum sentido. Francamente não sei se o que escrevo faz ou deixa de fazer algum sentido, mas enfim... Assim o que escrevo aqui é o que me vai na alma, ou no pensamento. Desabafos, poesia, histórias inventadas ou alguma pesquisa referente a algum assunto. Enfim...o que me apeceter escrever naquele momento, e partilhar com todos vós.

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