Acho que em quase todo o sítio há uma história com coisas que não se consegue explicar, como casas assombradas. Algumas histórias só servem para assustar as crianças. Quando eu andava no 5.º ano, com cerca de 11 anos, diziam que havia uma casa assombrada lá perto da escola. Nunca acreditei muito nestas coisas, pois para mim isso dos fantasmas não existiam. Ainda hoje não acredito, embora haja coisas que não se sabe explicar bem.
Na altura tinha uma amiga, que era tipo uma protectora para mim, ao passo que eu tinha 11 anos ela tinha 15. Era já uma mulher feita em comparação comigo. Ainda me lembro dela, do seu sorriso. Ela vivia na Santa Casa da Misericórdia, é provável que tivesse pais, mas como eu via em algumas situações, colocavam os filhos lá. Ainda tenho uma carta que ela me enviou uma vez. Pois a certa altura ela saiu ou desistiu da escola. Nunca mais a vi, já nem sei se a reconheço, pois de certo está diferente, talvez tenha mudado de cidade.
Houve um dia então, que saímos da escola, quando não tínhamos aulas, e fomos lá ver a tal casa. Era eu, a Paula (nome verdadeiro dela), e mais outra colega. A casa não tinha nada de especial, a não ser que estava abandonada e vandalizada. Acreditem que passados alguns anos, quando estava na secundária, essa casa ainda estava abandonada. Hoje não sei como estará, pois não passo por lá mais. E como todas as casas assombradas tinha uma história inerente a isso, que francamente já não me lembro bem. Devia ser alguém que matou alguém, já não sei dizer.
Ainda tenho uma caixinha de aguarelas que ela me ofereceu, talvez tenha isso tenha feito com que hoje ainda pinte, ou seja que tenha ganhado esse gosto. Para ser franca nunca foi grande artista, mas acho que quando fazemos por gosto até sai alguma coisa de jeito. Eu e mais uma colega oferecemos-lhes um perfume pequenino, também que dinheiro tinha eu né. E tenho a carta que ela enviou para agradecer. Lembro-me de ela dizer que me queria comprar uma boneca, daquelas lindas de porcelana, mas não dava.
Eu gostava muito dela, e penso que ela também de mim, eu era como que a bonequinha dela, se calhar não era bem assim, mas…. Espero que ela esteja bem, sinceramente gostava muito de a ver, mas não sei como a procurar, pois só sei o nome dela. Lembro-me de uma vez que recebeu um anel de um rapaz mais velho, mas depois devolveu, pois gostava de outra pessoa. Lembro-me de ela me contar que tinha dormido com um homem. Ou seja tinha fugido da casa da misericórdia e ido ter com o tal homem. Acredito que depois tenha terminado logo. Apesar de na altura parecer experiente, também via nela uma sonhadora, e muito boa pessoa. Na altura certas coisas passavam-me ao lado, e a ingenuidade também era alguma.
Como por vezes dizem o que interessa é a atitude que essa pessoa tem comigo e não os seus comportamentos. Ela podia fazer isto ou aquilo, que me confessava de forma suave, algumas só mais tarde descodifiquei. Mas nunca ela me deu maus conselhos, sempre me protegeu muito, sobretudo dos rapazes mais velhos. Lembro-me de um dia, que graças a ela não levei com ovos na cabeça. Bem! Aquilo no Carnaval era terrível, pois era só ovos por todo o lado fora da escola. Mas houve um dia mais tarde que apanhei com ovos, e tive de lavar a cabeça na escola. Na altura achava aquilo um pouco bera, mas como tudo também haviam boas pessoas lá. Mas apesar de tudo tinha sorte.
Apesar de me contar certas coisas, e como disse, de forma suave, nunca a vi gabar-se de nada. A vida dela de certo não tinha sido fácil. Na minha turma na altura havia mais um rapaz da santa casa da misericórdia. O que trocava correspondência. Acredito que ela com o tempo tenha saído de lá, e começado a trabalhar. Nem um ano passei com ela, mas foi alguém especial para mim. Lembro-me bem do seu sorriso, lindo. Alguns rapazes tinham medo dela, pois ela sabia se impor. Acredito que se hoje for mãe, há-de ser uma grande mãe.
Para ti Paula, bem sei que não vais ler nada disto, mas acredita que gosto muito de ti. Se calhar eu tenho uma imagem dela, e agora esteja diferente, mas também acredito que há coisas que não mudam, como eu. Há coisas que fazem parte de nós, e apesar de tantas mudanças, há sempre algo que continua ali.
Na altura tinha uma amiga, que era tipo uma protectora para mim, ao passo que eu tinha 11 anos ela tinha 15. Era já uma mulher feita em comparação comigo. Ainda me lembro dela, do seu sorriso. Ela vivia na Santa Casa da Misericórdia, é provável que tivesse pais, mas como eu via em algumas situações, colocavam os filhos lá. Ainda tenho uma carta que ela me enviou uma vez. Pois a certa altura ela saiu ou desistiu da escola. Nunca mais a vi, já nem sei se a reconheço, pois de certo está diferente, talvez tenha mudado de cidade.
Houve um dia então, que saímos da escola, quando não tínhamos aulas, e fomos lá ver a tal casa. Era eu, a Paula (nome verdadeiro dela), e mais outra colega. A casa não tinha nada de especial, a não ser que estava abandonada e vandalizada. Acreditem que passados alguns anos, quando estava na secundária, essa casa ainda estava abandonada. Hoje não sei como estará, pois não passo por lá mais. E como todas as casas assombradas tinha uma história inerente a isso, que francamente já não me lembro bem. Devia ser alguém que matou alguém, já não sei dizer.
Ainda tenho uma caixinha de aguarelas que ela me ofereceu, talvez tenha isso tenha feito com que hoje ainda pinte, ou seja que tenha ganhado esse gosto. Para ser franca nunca foi grande artista, mas acho que quando fazemos por gosto até sai alguma coisa de jeito. Eu e mais uma colega oferecemos-lhes um perfume pequenino, também que dinheiro tinha eu né. E tenho a carta que ela enviou para agradecer. Lembro-me de ela dizer que me queria comprar uma boneca, daquelas lindas de porcelana, mas não dava.
Eu gostava muito dela, e penso que ela também de mim, eu era como que a bonequinha dela, se calhar não era bem assim, mas…. Espero que ela esteja bem, sinceramente gostava muito de a ver, mas não sei como a procurar, pois só sei o nome dela. Lembro-me de uma vez que recebeu um anel de um rapaz mais velho, mas depois devolveu, pois gostava de outra pessoa. Lembro-me de ela me contar que tinha dormido com um homem. Ou seja tinha fugido da casa da misericórdia e ido ter com o tal homem. Acredito que depois tenha terminado logo. Apesar de na altura parecer experiente, também via nela uma sonhadora, e muito boa pessoa. Na altura certas coisas passavam-me ao lado, e a ingenuidade também era alguma.
Como por vezes dizem o que interessa é a atitude que essa pessoa tem comigo e não os seus comportamentos. Ela podia fazer isto ou aquilo, que me confessava de forma suave, algumas só mais tarde descodifiquei. Mas nunca ela me deu maus conselhos, sempre me protegeu muito, sobretudo dos rapazes mais velhos. Lembro-me de um dia, que graças a ela não levei com ovos na cabeça. Bem! Aquilo no Carnaval era terrível, pois era só ovos por todo o lado fora da escola. Mas houve um dia mais tarde que apanhei com ovos, e tive de lavar a cabeça na escola. Na altura achava aquilo um pouco bera, mas como tudo também haviam boas pessoas lá. Mas apesar de tudo tinha sorte.
Apesar de me contar certas coisas, e como disse, de forma suave, nunca a vi gabar-se de nada. A vida dela de certo não tinha sido fácil. Na minha turma na altura havia mais um rapaz da santa casa da misericórdia. O que trocava correspondência. Acredito que ela com o tempo tenha saído de lá, e começado a trabalhar. Nem um ano passei com ela, mas foi alguém especial para mim. Lembro-me bem do seu sorriso, lindo. Alguns rapazes tinham medo dela, pois ela sabia se impor. Acredito que se hoje for mãe, há-de ser uma grande mãe.
Para ti Paula, bem sei que não vais ler nada disto, mas acredita que gosto muito de ti. Se calhar eu tenho uma imagem dela, e agora esteja diferente, mas também acredito que há coisas que não mudam, como eu. Há coisas que fazem parte de nós, e apesar de tantas mudanças, há sempre algo que continua ali.











