
O FEITIÇO DE JADA (3)
A praça estava cheia de gente, olhares indiscretos começaram a fazer flecha em Jada. Uma mãe que estava lá, disse em voz baixinha para a sua filha – “não olhes para aquela rapariga, deve ser bruxa.”. A filha para a mãe – “o que são bruxas mãe?” A mãe - “são criaturas do mal, minha querida, que servem Satanás”. Jada, apercebeu-se da coscuvilhice que ali estava a ocorrer, só lhe apetecia dizer a verdade. De facto ela era uma bruxa, mas não podia contar isso, caso contrário seria queimada. Uma lufada de ar quente se instalou e, ela foi dar um passeio na vila, naquelas ruelas pintadas de branco. De repente olhou em redor, e viu dois gatos à luta por restos de peixe, achou tão cómico, que começou-se a rir sem conseguir parar. Até que alguém lhe tocou no ombro, ela virou-se, pensando que seria Jorge, mas para desilusão dela, era um simples pescador. Este disse-lhe - “ nada que faças vai fazer mudar o teu destino”. Jada pensou “o que sabe ele de mim?”. Não ligou e continuou o passeio. Passado uns minutos, para grande espanto seu, viu Jorge. Ele vestia um fato domingueiro, azul escuro, e vinha acompanhado de uma rapariga linda, ela tinha um vestido rosa clarinho, um laçinho na cabeça, assim como um guarda sol a combinar. Jorge nem olhou para Jada, e esta ficou cheia de ciúmes, crescia nela uma amargura, uma raiva. Afinal ele tinha um segredo, tinha alguém. Mas ela também tinha um segredo.
Jada seguiu em direcção ao seu acampamento, e pelo caminho mais a raiva lhe consumia, tinha inveja de Margarida, da sua beleza. Ela tinha os olhos azuis, cabelo castanho com saca rolhas, a pele clara, parecia um anjo, enquanto Jada, tinha os olhos castanhos, e na face algumas imperfeições. Margarida era filha de uma família abastada, que tinha vários terrenos, com vinha, amendoeiras, figueiras e alfarrobeiras. Ela pintava, cozinhava, era uma rapariga dedicada e bondosa. Mas para Jada nada disso lhe interessava, ela já estava consumida pelo ódio, pela sofrimento de não poder ter Jorge para si. De modo que chegou a passar pela mente dela matar Margarida. Mas, no seu íntimo não era isso que queria, ela só queria ser amada. E assim deixou passar algum tempo.
À luz das estrelas e da lua quarto crescente, numa sexta-feira, debaixo de uma alfarrobeira, Jada lançou um feitiço, invocou o espírito da lua, a grande caçadora, e implorou pelo amor de Jorge. Mas ela estava a ser dominada pelo desgosto, pela inveja maligna que ela sempre foi contra. Não obstante ela ter feito um juramento à sua mãe de como nunca usaria a sua magia para fazer o mal, ou por razões que não fossem do bem, ela fez o feitiço. A amargura desgastava-a, e chorava desconsoladamente, e ali mesmo debaixo da alfarrobeira deixou-se dormir. Nos seus sonhos, Isabel, sua mãe apareceu, parecia ser tão real o sonho. Isabel dizia – “Se teres no pensamento ódio, esse ódio recairá sobre ti. Lembra-te que o espírito, corpo e mente são um todo.”. Jada dizia – “ mas eu amo-o tanto, eu sei que sim!” Isabel: “ se o amasses assim tanto, quererias a sua felicidade, mesmo que para isso estivesses longe dele.”. Mas para Jada, Jorge tinha de ser dela, para ela a felicidade era ao seu lado.
Continua.....











