
MULHER À J
ANELAAbro a janela, uma leve brisa sopra. É noite e, está lua cheia. Fico a olhar para ela, encostada ao parapeito da janela. Estou apenas de t-
shirt, pois está muito calor.
Fico a pensar na vida, sem namorado, sem ninguém que me dê carinho, que esteja ali para mim. No fundo queria era uma dia encontrar o tal, casar, ter filhos. Um homem que seja meu confidente, meu amante, meu porto de abrigo. Mas sonhar é fácil, ter algo que se sonha é por vezes uma mera fantasia.
Vou para a cama. Deito-me, e deixo a minha mente vaguear feito louca nos meus pensamentos. Nisto adormeço. Mas de repente acordo, com o toque da campainha. Vou assim mesmo como estou, e vejo que é a minha vizinha. Deviam ser duas da manhã. Pergunto o que ela quer, e ela diz que o namorado a expulsou de casa. Eu nem pergunto a razão, e lá dou abrigo a ela. Mas ela fica ali a falar, a falar; e eu que tinha acabado de acordar, francamente não estava com muita paciência para a ouvir.
Ela ficou no sofá, enquanto eu fui para o quarto. Lá estava eu a tentar adormecer, pois tinham-me interrompido. Embora a luz do quarto estivesse apagada, havia luminosidade no quarto, pois a janela estava aberta. Deitei-me e fechei os olhos, quando nisto entra ela, e eu a pensar, o que quer ela agora?!. Vem e pergunta-me se não pode dormir comigo. Eu digo logo;
- Mas o que queres tu?!
- Sinto-me tão mal, queria só estar contigo, tu és tão fofinha.
- Oh! Tâmara, se queres fica, mas olha eu quero mesmo dormir.
E lá dormimos as duas ali, desta vez ela ficou caladinha.
De manhã, vou tomar um duche, e quando saio, já ela não estava. Pensei; já deve ter resolvido as coisas com o namorado. É sempre a mesma coisa, discutem, depois passado um tempo, já está tudo bem; nem vale a pena tentar compreender.
Hoje é dia de folga, por isso fico em casa no
relax, sem fazer nada.
Andava com uma vontade, vontade de estar com um homem. Mas na ausência deste, começo a brincar comigo mesma. Começo a me tocar, por cima da roupa, e vou-me despindo lentamente. Passo com uma mão no corpo, com a outra coloco óleo e jasmim. Massajo suavemente. Os meus seios, só me apetecia que alguém passasse a língua neles. Sinto-a latejar, o sangue que circula e se concentra daquele sítio tão secreto. Deito-me na cama, e meto os dedos lá dentro, já estava húmida. Sinto vontade de gemer, e deixo-me levar. Nisto a campainha toca. Visto-me à pressa, e vou atender. Era alguém que me queria impingir com algum produto que eu nem quero saber. Despachei-o logo. Já vestida, pensei, vou é para a rua, porque isto aqui não faço nada.
Caminho pela rua, e vou olhando para as montras. De repente, sinto um apalpão no rabo. Bem! penso...mas o que é isto!. Viro-me e vejo um homem muito bem parecido a olhar para mim, com um leve sorriso; eu agi de impulso, e dei-lhe uma chapada na cara, E digo:
- Que isto sirva de lição.
Ele ficou com ar de tipo...o que é que se passou aqui, e disse logo que não tinha sido ele.
Eu respondi: - Pois..pois...isso é o que dizem todos!
- então quer dizer que já lhe aconteceu muitas vezes?
- Mas você está a gozar comigo!!!!
- Peço desculpa, mas não foi eu. Acredite se quiser. Acho que devia ter mais calma, e não ser tão impulsiva.
- Pois…pois…vá dar conselhos a outra.
Nisto ele aponta-me para alguém, e diz que foi ela que me apalpou. Eu viro-me e vejo que era a Tâmara. E fico com vontade de me meter dentro de um buraco.
- Desculpe lá….mas pensei que tivesse sido você.
- Para a próxima tenha cuidado. E já agora posso saber qual é o nome de quem me deu um chapa na cara?
-
Viviane- O meu nome é António.
Eu já atrapalhada, disse que estava à pressa e fui andando em direcção à minha vizinha. Ela fartava-se de rir.
Nota: Esta história irá ter continuação.

MULHER À JANELA (2)
Com as minhas sandálias vermelhas caminhei ao encontro de Tâmara. Esta não conseguia disfarçar a sua cara de gozo; tomará conseguiu ver-me quase a cair dentro de um buraco. Buraco no sentido configurado, claro! Fiquei tão sem graça, que acho que até fiquei ligeiramente corada.
Ela virou-me para mim e perguntou-me:
- Então ficaste com o número dele?
- ‘Tás a gozar!!! Vistes o que me fizeste?! Por culpa tua dei uma chapada nele.
- Ahh! Mas ele é um pedaço de mau caminho. (risos..risos)
- Pedaço de mau caminho és tu. (Digo isto já de mau humor, e irritada)
- Pelo menos o nome ficaste a saber?
- Olha….já nem sei…deixa-me pensar….acho que é António…sim! António
- Menos mal!
- Menos mal o quê?! Achas que o vou ver novamente?! Claro que não.
- Isso é o que tu pensas. Ele trabalha ali naquele banco. (apontou-me com o dedo, o tal banco)
- ‘Tou tramada. Tenho de deixar de caminhar por estes lados.
A Tâmara foi em direcção ao jardim, ia fazer não sei o quê, porque francamente já estava tão irritada que não liguei muito ao que ela disse. Eu por outro lado fui para casa, já estava farta de estar na rua. O que agora faltava para completar a festa era cair-me em cima da cabeça caca de pombo.
Começo a pensar, também para quê que eu quero um homem. Se for como o namorado da minha vizinha mais vale a pena não ter nenhum. Mas pensando bem, sei lá se a culpa também não será dela!? Será que não me estou a enganar a mim mesma, a dizer que não preciso de um homem, quando na verdade sinto falta disso. Falta do carinho, do afecto, de alguém que me estime, me mime, que seja só meu, enfim…Mas também não sei não! Cada vez vejo mais casos perdidos, traições, que fico sem saber o que pensar. Também não consigo compreender o que um homem quer?!! São complicados eles, e depois dizem que somos nós. O que quer um homem? Ele quer ter o controlo, quer tudo a seu belo dispor. E parece que alguns gostam de mentiras, ou melhor se ser enganados; ficam todos contentes, quando ela diz que ele foi bom. Quando muitas vezes isso é total mentira. Enche o ego, de muitos. Bem sei que estou a exagerar, mas também quero lá saber.
Caminho na rua, já mesmo perto de casa, quando para minha felicidade, porque hoje deve ser o meu dia de sorte, aconteceu-me algo. Algo embaraçoso. E eu pensei logo - Só mesmo a mim, para me acontecer uma coisa destas. A minha sandália do pé direito foi-se. Umas sandálias que me custaram tão caro. Se calhar nem tanto, mas adoro-as. Fui mesmo descalça para casa. Peguei na chave, abri a porta, subi pelo elevador, e finalmente, agora cheguei á minha rica casa. Finalmente!.
Nota: Esta história vai ter continuação

MULHER À JANELA (3)
Chego então a casa, ainda cheia de pensamentos na minha mente. Decido ir tomar banho, desta vez de imersão, mesmo para relaxar. Pode ser que algumas ideias fiquem submersas, e me deixem em paz de vez. Também porque sou eu assim tão impulsiva?!. Bem me diz a minha amiga São que eu sou verdadeira demais, e que o mundo não está preparado para alguém tão genuína. Daí me dar mal tantas vezes. Mas sou como li algures, uma flor, e não uma semente.
Olho-me ao espelho, e reparo que o meu corpo já não é igual. Está mais flácido, com mais celulite, mais estrias, mais tudo, enfim…Mas continuo a pensar que ainda sou uma gaja boa. Penso para mim mesma, uma gaja boa (rindo-me muito), quando no fundo não é o que acho. Tomará!! os homens com quem estive não me fazem pensar que sou linda, mas sim o contrário. Por vezes até me sinto um objecto descartável nas mãos deles. Dou tudo, e parece que não é nada. Por vezes penso que os homens devem gostar é de sofrer, de não ter o que querem. Não sei…juro que não compreendo os homens.
- Já estou farta! (Digo em voz alta)
Digo para mim mesma que não quero mais saber de homens, nem de ninguém que me faça sofrer.
Depois do banho demorado, em que reflecti muito, vou para a janela. Fico a olhar, neste sítio onde eu me sinto tão segura, e ao mesmo tempo tão vulnerável. Fico a mirrar quem passa por ali. Será que alguém se apercebe de mim, da minha presença?! Claro que não! Numa cidade tão agitada, ninguém liga a ninguém. Sou mesmo eu, que me importo com tanta porcaria. Sou mesmo eu que ainda acredito no amor, mesmo ele me tendo dado tantos pontapés. Só mesmo eu que ainda me atiro corpo e alma para alguém. Mas também digo agora, que nunca mais hei-de fazer o mesmo. A última vez foi demais.
Fixo o olhar em frente. Algo me chamou a atenção, gritos vindos de um qualquer apartamento. Barafunda em casa. Penso que pelo menos isso não tenho, ou melhor não grito com ninguém, a não ser para mim mesma. Olho, mas não vejo nada. É um som estridente que até me deixa constrangida. Odeio ouvir gritaria, talvez por me trazer más recordações. Mas também vejo que se sou o que sou, é graças a todo o mal que passei. Não tenho o porquê de ter medo da vida; amanhã sei lá se estou aqui. Tenho é de viver, alegre, feliz, mesmo sozinha, e ser sempre sincera comigo mesma.
(Esta história vai ter continuação)

MULHER À JANELA (4)
Nesta janela, onde o meu olhar se cruza em pensamentos estranhos da minha mente. Na janela do meu quarto, onde tudo é menos cor de rosa, onde me perco na imensidão da minha imaginação, perco o meu tempo a olhar através dela. Decido, para não ficar sem fazer nenhum, ir estender a roupa. Começo a pensar no último namorado, que tive já há algum tempo, um namoro que juro nunca compreendi porque terminou. Para mim, ele era maluco, ou medricas. Os homens são tão complicados, e depois dizem que somos nós que somos. Realmente!
- Upssss…. (digo eu)
No meio dos meus pensamentos deixei cair um vestido amarelo para baixo. Saio porta fora, desço do 8º andar, e vou ter com o tal vestido que uma amiga que ofereceu pelos anos. Nisto…quando regressava a casa, já com o vestido nas mãos, quem vejo eu….Quase que fico de boca aberta com o que vejo. Deparo-me com o tal homem a quem dei a chapada, o António. Ele todo sorridente para mim, e eu meio aparvalhada a olhar para ele. Cumprimenta-me, e pergunta se já estou bem. Eu respondo que está tudo bem. Nisto ele diz:
- Vejo que hoje estamos destinados a nos encontrar.
- Pois…
- Sabe que eu já a conhecia?!
- Como? De onde?
- Eu nem devia dizer isto, mas todos os dias a vejo à janela. De certo vai pensar que sou um doido varrido, um tarado. Mas olhe! Pense o que quiser.
Eu fico a pensar - Oh meu Deus! Este mundo ou é pequeno, ou eu estou metida em alhada. Ele continua a falar;
- Mas sabe! Você por vezes até parece que está lá para mim. Por vezes o seu ar distraído me faz rir. Não leve a mal por eu lhe dizer isto. Mas olhe estou a ser sincero. Mas se quiser deixo de o fazer. Ou pelo menos tentar. Não posso prometer que vou conseguir resistir de olhar para si.
- Pois…
- Mas você só sabe dizer pois. Parece nervosa.
- Ah! Não…que ideia.
- Não me tente enganar. Eu sei que você apesar de ser bruta, impulsiva, e tudo mais, é uma rica pessoa. Eu acho que você é diferente.
- Pois…não seremos todos diferentes!
- Tem razão. Mas você tem algo de especial.
- Se está a tentar-me engatar não vai ter sorte. Aviso já.
- Você deve ter a paranóia que os homens andam atrás de si, não!.
- Você é que tem a paranóia que anda a vigiar-me.
- Não exagere.
Eu meio confusa nos meus pensamentos, não sabia o que pensar, se ele estava no gozo comigo, se estava a ser sincero, ou se era mesmo um tarado. Não tinha cara disso, parecia muito são, de facto apesar de tanta conversa, e tanta espontaneidade, parecia ser um pouco tímido. Mas sem certezas, decidi inventar uma desculpa esfarrapada, afim de me livrar dele.
- Sabe…tenho de ir para casa…é…que tenho …uma panela ao fogão. Sabe como é! (com um riso parvo na cara)
Virei costas e vou para casa. Entro com os pensamentos muito nublados, decido deitar-me no sofá, e tentar dormir, a ver se esquecia este dia, que parecia não terminar.
(Nota: não! ainda não terminou esta história)

MULHER À JANELA (5)
Deite-me no sofá e deixei-me dormir. Quando acordei foi ao som do despertador, já eram 7 horas, nem acreditava. Mais outro dia de rotina, de ir para o trabalho. Despachei-me e foi apanhar o metro, e foi para a baixa, para a loja de roupa onde trabalho.
Estou no trabalho e dou por mim a pensar no António. Mas o que quererá ele de mim?! Que homem tão estranho!. Às tantas anda a gozar comigo, sim! Porque eu lhe dei o tapa na cara, e agora quer dar cabo da minha cabeça.
Sem saber o que fazer, decido dedicar-me ao trabalho e não pensar mais nisto.
O tempo passa, e na hora de almoço como é costume, costumo ir comer a um sítio bem bacana aqui perto com uma colega de trabalho. No meio da conversa ela fala-me de um sítio muito giro onde podíamos ir no fim do dia. Bem! Ficou combinado. Fomos andando para o trabalho, quando me deparo com algo.
Encontrei uma mala no chão. De certo alguém tinha sido assaltado, e deixaram a mala aqui. Apanhei, e tentei ver de quem era a mala. Nestas coisas sou defensora que não se faz aos outros, o que não queremos que façam a nós. Lá encontrei o cartão de cidadão, era de uma mulher com 41 anos. Assim quando pudesse ia tentar devolver. A minha colega disse-me só tu para te dares a esse trabalho, mas eu nem liguei.
Passei o dia na labuta, sim! Trabalhar em lojas de roupa, como aqui a Zara é cansativo. Algumas pessoas podem pensar que é tudo fácil, mas não é bem assim. No fim do dia lá foi com essa minha colega ao sítio que ela tinha dito, mas antes passamos por um sítio onde havia uma exposição de pintura. Eu que gosto dessas coisas, foi ver com a companhia dela. Nisto ela me chama, dizendo:
- Viviane!! Nem acreditas quem vejo aqui!! (risos) és tu!!!!!!!
- Onde?!
- Aqui tonta, és tu nesta pintura.
- Não acredito!
Vou , e não é que sou mesmo eu à janela. Que cena! Começo a pensar, e vou ver quem pintou aquilo, e não é que foi António Sequeira, ou seja deve ser o mesmo António que anda atrás de mim. Mas que coincidência, penso eu. Fico sem saber mesmo o que pensar.
Nota: Continua

MULHER À JANELA (6)
Fico ali especada a olhar para os quadros, e admito que ele tem muito jeito. Parece que me vejo como sou mesmo, distraída e com cabeça na lua. Mas continuo a achar muito estranho tudo isto, quase que parece que estou num sonho. De facto até me chego a me beliscar para ter a certeza que de um sonho não se tratava, mas não! era mesmo realidade. A minha colega fartava-se de rir, nem sei porquê, mas penso que deva ter sido pela minha cara de parva. Não sabia o que fazer, mas senti-me tão dispersa e confusa que só me apetecia desaparecer ou então ir para a minha casinha, sítio onde me sinto segura.
A minha colega pergunta-me:
- Então tu não sabias?
Eu respondo que não, e nem sei o que dizer. Decido nem dizer que entretanto tinha conhecido António, pois não via nexo em estar com tanta explicação.
Fomos para o trabalho, e lá fiquei submersa nos problemas por assim dizer laborais e por momentos, esqueci tudo o resto.
No fim do dia consegui entregar a mala à tal senhora, que me agradeceu imenso. Afinal sempre tinha sido roubada.
Indo para casa, decidi antes disso, fazer um desvio, indo para o jardim das conchas, para um cantinho onde costumo repensar na vida sossegada, com a natureza. Por momentos, até me esqueço que estou na cidade.
Penso que coincidências estranhas aconteceram, será o destino?! Humm penso que não. Foi mesmo estranho dar uma chapada na cara de alguém que me pintou. Até isso é super estranho, mas enfim…coisas estranhas existem em todos os sítios. Engraçado como nunca dei pela existência dele ali, mas também porque havia eu de dar! Mas porque ele não me disse nada?! E que coincidência em encontrar aquelas pinturas, mas também vendo bem eu não era a única modelo de pintura, por assim dizer. Não devia fazer mais nada que era pôr-se à janela a espreitar os outros à janela, ou melhor elas à janela. Mas achei piada ao tema da pintura, “Mulher à janela”. às tantas sou eu que sou paranóica que ando aqui com os meus macaquinhos, ele também não me fez nada de mal, né!. Não me posso preocupar tanto. Mas sei lá! sinto-me exposta por um lado, mas também quem é que me vai conhecer na pintura.
Vou para casa, e retorno à vida normal.
Sem dar muito por isso semanas passam.
Nota: continua…

MULHER À JANELA (7)
O tempo passa sem darmos por ele. E sem darmos por ele, esquecemo-nos de viver, ou vivemos nos queixando da vida, quando existem muitas boas razões, muita bondade por aí, basta querer. E olhando para as crianças é que vemos como o tempo passa depressa. Ainda no outro dia vi uma ex-colega minha, com o seu rebento, tão fofinho!. E vi como ele tinha crescido tanto, enquanto eu continuo praticamente na mesma.
Hoje está um dia lindo, e como ando inspirada, decidi lançar mãos à obra, e fazer um bolo de mandioca. Uma receita que a Tâmara me deu, só espero que saia bem, pois não tenho assim muito jeito para culinária. Acabo de colocar o bolo no forno, quando nisto toca a campainha. Penso logo que é Tâmara, mas quando chego à porta para abrir vejo que estou enganada. De facto fico surpreendida quando vejo que é António. Já me tinha esquecido dele e tudo. Mas junto a ele havia algo mais. Ele cumprimenta-me e diz que tem uma prenda para mim. Eu fico mesmo admirada, pois não estava nada à espera. Quando ele me mostra, eu vejo que é uma das pinturas onde eu estou. Fico contente, e nem sei porquê, mas sinto em mim uma tranquilidade que me espanta. Convido para ele comer do bolo que estou fazendo, e nisto ele com aquele ar, começa a rir. Eu fico com ar meio parvo, a pensar será que ele está gozando comigo, mas também nem quero saber. Eu estou bem, bem comigo e isso é que importa.
A janela da sala está aberta e entra a luz, a luz do sol, o meu grande amigo. Reparo como ele é simpático e sinto-me bem ali com ele, quando nisto sinto algo. Sinto o cheiro a queimado. Vou ver, e já não havia bolo, ficou mesmo todo queimado. Quando abri o forno saiu um fumo tremendo. António veio atrás de mim, e fartava-se de rir, eu sem saber o que fazer, também ri desta situação toda.
Ele ficou ali a conversar, a me contar da vida dele, que tem esta veia artística, que a mulher dele o tem apoiado muito. De facto quando ele falava nela, o olhar até brilhava. Achei lindo um homem falar assim da mulher. Quer dizer, não é que ele falasse muito dela, mas dava para ver que gostava muito dela. Também fiquei a saber que já tem dois filhos. Pergunto se a mulher não sente ciúmes de ele passar horas a olhar para mulheres, mas ele diz que não. Eu acho legal. É sempre bom conhecer pessoas que se dão bem. Mas será que isto não é tudo bom demais, mas que interessa!, se eu estou bem, estou bem, né!
O dia passou bem.
Os dias vão passando, e eu vivendo minha vida bem comigo mesma.
Fim desta história.