sábado, 19 de janeiro de 2013

Anónima na cozinha


Gosto muito de cozinhar, mas é com paz, à minha vontade, não é com o meu pai ali a atormentar e a querer coisas como ele quer. Parece, desculpem a expressão, que todos temos que ter o cú aberto para ele, e quando não acontece, nós é que somos maus. Ai meu Deus! Que paciência é preciso para aturar certas pessoas. O meu pai diz que não vivemos sem ele, mas mais parece ao contrário. Para um dia ter um homem assim quantas vezes é melhor estar sozinha, a sério.

Seja como for, fiz um bolo com queijo de cabra fresco, que a minha avó fez, mesmo bom, e com amêndoa e noz. O bolo até ficou bom, mas um pouco queimado. E fiz uma espécie de pastéis com massa filo, com uma mistura de frango desfiado, cogumelos, rebentos de soja e legumes. E até ficou bom, embora ligeiramente queimado. Culpa do forno e do meu pai que estava ali e não consigo estar em paz e sintonia com a comida.
Por um lado não vejo a hora de sair de casa, mas as coisas não são muito simples. Por um lado tenho que sair a bem, ter a desculpa perfeita, porque para o meu pai eu tenho que ficar aqui para sempre, se calhar, ou até casar. Que ideia mais antiga, mas pensando bem o meu pai ficou congelado no tempo há décadas atrás, logo. Por outro doí-me o coração por deixar a minha mãe, e não a poder a ajudar da mesma forma. E sei que a minha mãe vai ficar triste por eu me ir embora, o que me deixa mal também, enfim…coisas da vida. É que já tive dias aqui maus, e depois uma pessoa fica com medo.

Se eu pudesse levava a minha mãe e avó materna para umas férias, coisa que nunca tiveram. Era maravilhoso, mas enfim…a prisão que vivemos aqui não deixa. Nem todos compreendem isto, e talvez em parte seja da minha mãe que casou com o meu pai sem o conhecer bem. E deixou que ele dominasse. Enfim…mas sei que a minha mãe é boa mãe, isso eu sei.

Por isso é algo que não compreendo, isso de casar virgem, para quê?! Para ser mais inocente, e mais fiel?! Enfim….existem coisas que não cabem dentro de uma pessoa um pouco vivida. Não estou dizendo que esse foi o problema, mas em parte ajudou. 


4 comentários:

  1. Quem sabe se um dia não as podes levar para viver contigo :)

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    1. Não sei. O meu pai é vingativo, e já deixou bem explicito que não quer a gente saia de casa, sobretudo a minha mãe. Mas pode-se ser que um dia isto tenha fim.

      Obrigada Emma. :)

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  2. apesar de às vezes custar a acreditar, acredita que havera um dia em que tudo ha-de passar e conseguiras levar a bom porto toda a tua vida bem como as pessoas que amas e que te preocupas...
    pode demorar algum tempo, mas a tristeza para com essa situação e a raiva por nada poderes fazer irão ser ultrapassadas pela realidade de conseguires ajudar e realizares os teus desejos... são o q desejo para ti.....

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